November 13th, 2014

rosas

more swimming

Ontem à noite nadei durante cinquenta minutos sem parar. Fiz 1600 metros, na piscina de 25 metros (a piscina de 50 tem estado overcrowded, só dá para nadar lá aos sábados), quase todos em crawl, mas a última piscina de cada 100 metros a bruços e a costas, de modo alternado. Vou metendo estas variações de estilos por razões opostas: a bruços, porque preciso de mexer as pernas, apesar de me cansar, a costas porque é o estilo que mais me relaxa e assim descanso um bocadinho. Normalmente nado 1200 metros desta maneira, e depois faço mais 200 a pernas e a braços, e mais 50 para descontrair. Mas ontem foi non-stop, quase sempre no mesmo ritmo, sem parar nas viragens nem para uma ou duas respirações.

Na cabeça, uma canção antiga dos Madredeus, Alfama, que o Rodrigo Leão gravou no seu disco ao vivo ‘O Espírito de Um País’, o registo de um concerto ao vivo na escadaria da Assembleia da República por ocasião do 40º aniversário de 25 de Abril. Tenho ouvido muito o disco no Spotify, e vale a pena destacar a participação, entre outras igualmente notáveis, do Camané: a princípio estranhei um pouco (sendo um dos temas o Vida Tão Estranha), mas agora acho-a imprescindível, e mais: viciante.

E, claro, as preocupações do costume. Apesar de eu não ter um temperamento depressivo, sinto assim um fundo de tristeza e medo, de angústia e até de alguma mágoa, que cria uma espécie de névoa que se interpõe entre mim e os outros, como se fosse uma almofada de ar que me mantém sempre num nível diferente, destacado, à parte, sombrio e baço, das minhas rotinas quotidianas. A verdade é que quando tento olhar em frente não consigo ver nada que me dê esperança e alegria. Mas mantenho-me à tona da água; não apenas a flutuar, mas a nadar com determinação e tranquilidade.

Ontem o gato roeu os fios das colunas do computador. Não sei se compre umas colunas novas, um computador novo, ou um gato novo.