?

Log in

No account? Create an account

pride
rosas
innersmile
Fui no fim de semana ver Pride, título em português Orgulho, um filme inglês realizado por Matthew Warchus, com muito pouca informação; aliás, o que me valeu foi ter visto o trailer há umas semanas, e ter tomado uma nota mental para não o perder. E espanta-me como é nunca tinha ouvido falar no filme, e como é que ele está a passar tão despercebido por cá.

A história do filme passa-se entre duas datas: os dias da marcha do orgulho gay em Londres, nos anos de 1984 e 1985. Eram os tempos do governo Thatcher, e o pano de fundo é a greve dos mineiros, que durou um ano, e começou em março de 1984, precisamente o mês em que eu cheguei a Londres pela primeira vez. E o filme conta a história de um grupo de gays e lésbicas, que se reuniam à volta da livraria Gay’s The Word (a minha favorite shop em Londres), que decidem angariar fundos em solidariedade para com os mineiros em greve. Como as estruturas do sindicato dos mineiros não querem, por preconceito, receber dinheiro dos homossexuais, um grupo dos activistas resolver ir até ao País de Gales, a uma pequena aldeia mineira, entregar pessoalmente o dinheiro. O filme, é claro, conta-se todo a partir daí.

Inspirado numa história verídica, que pôs os mineiros a desfilar a abrir a marcha do orgulho gay em 1985, trata-se de um feel good movie, em tom assumido de comédia, mas que é importante como testemunho de um pedaço da história do gay lib inglês, e que assume um posicionamento político, o que é raro hoje em dia no cinema mais comercial; aliás neste aspecto o filme não nega uma certa tradição do cinema inglês de se focalizar nas vidas das pessoas comuns, que têm vidas reais e difíceis.

Tem uma banda sonora cheia de hits da época, nomeadamente da música pop que na altura se começou a assumir como queer (Bronski Beat, Frankie Goes To Hollywood, Culture Club, entre muitos outros; de resto, os Bronski Beat têm um papel no filme). E um naipe de actores muito seguro, nomes conhecidos do teatro e do cinema, como a Imelda Stauton, o Bill Nighy, o Dominic West ou o Paddy Considine.

Claro que o filme me disse muito, num plano pessoal. Esta foi a Inglaterra que eu conheci, precisamente esta, a deste tempo retratado no filme: a música, a greve dos mineiros todos os dias nas notícias, a Gay’s The Word e o meu despertar para a realidade de que, mais do que uma condição sexual, a homossexualidade poderia ser uma marca e um acervo cultural, e que se começava a tornar, por esta época, num estilo de vida muito pop e hedonístico. Voltando ao início, é uma pena que um filme tão interessante e divertido passe completamente despercebido pelas nossas salas de cinema, mas também pelos media que mais se dedicam quer ao cinema quer à realidade gay.