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A semana passada, quando falei aqui sobre o filme The Red Shoes, o Pat, do blog Twiner, aqui do Livejournal, deixou o seguinte comentário:

"I love the films of Michael Powell & Emeric Pressburger --- all of their films tells stories through images & are beautiful masterpieces. Have you seen the film that ended Michael Powell's career for awhile in 1959 --- Peeping Tom? Outwardly, it's about voyeuristic sadism, but inwardly, it's about cinema. The peeping tom is a young cameraman & the story is set within the film industry. It exposes cinematic conventions, & offers images that relate back to the cinema. It's also about film spectatorship & identification. And this is from the liner notes of the Criterion release of the film: "Peeping Tom offers realistic cinematic images that create a magic space for its fiction somewhere between the camera's lens & the projector's beam of light on the screen." That is also true of The Red Shoes, Black Narcissus, & A Matter of Life & Death. You may not enjoy the storyline of Peeping Tom, but I think you would enjoy all of the imagery…"

É difícil dizer mais e melhor sobre o filme do que esta belíssima síntese. É de facto um filme admirável, porque funciona de forma perfeita nas suas várias camadas: como um thriller sobre um assassino psicopata, cheio de traumas de infância, muito freudiano, que leva o seu voyeurismo até às últimas consequências; e como uma extraordinária reflexão sobre o cinema e sobre o que é ser espectador de cinema, com os seus “mecanismo”, os seus fascínios e as suas perversidades.

E como Deus está nos detalhes, o filme de Powell está cheio de pormenores fabulosos, quer ao nível do argumento quer da própria imagem. Um exemplo do primeiro: logo numa das primeiras cenas, Mark, o jovem voyeur, está a filmar a cena do crime que ele próprio acabou de cometer; um sujeito repara nele e aproxima-se, vêmo-lo precisamente pelo plano da câmara de filmar que está a usar, inquirindo sobre qual o jornal para que trabalha. Depois de uma breve hesitação, Mark responde: ‘The Observer’!

É um filme genial, mas que acabou com a carreira de Michael Powell no cinema inglês, de que era uma das coqueluches, tendo quer o público quer a crítica reagido mal a esta incursão do realizador pelos terrenos incómodos do sexo, do crime e do fetichismo. Para a história do cinema, o filme de Powell entrou como uma das suas mais ácidas metáforas.
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