October 22nd, 2014

rosas

caneca

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(a foto da loja da Borders em Eau Claire, Wi é um instagram feito a partir de uma imagem do street view da Google)

Em 1998 (gosh, quase há vinte anos) passei três meses nos Estados Unidos, numa pequena cidade do estado do Wisconsin. Cheguei em abril, no dia 6, e saí em 28 de junho, dia do aniversário do meu pai, a quem telefonei a dar os parabéns já na madrugada de 29, em escala no aeroporto de Schiphol, em Amesterdão.

Poucos dias depois de chegar, descobri, um pouco por acaso, a Borders. A sul da cidade, do outro lado da avenida onde ficava o Oakwood Mall, onde eu passava grande parte do meu tempo livre: um dia enganei-me no caminho, virei à esquerda em vez de virar à direita, e deparei-me com a loja, de cuja existência eu já sabia mas que ainda não tinha conseguido encontrar, num daqueles espaços típicos das zonas comerciais norte-americanas: uma série de lojas gigantescas, com porta para a rua, servidas por um parque de estacionamento comum.

A partir daí, a Borders passou a ser o meu lugar preferido da cidade. Era uma livraria imensa, tinha uma cafetaria grande e com mesas e óptimos snacks, sofás espalhados pela loja, uma zona de música com pontos de escuta. Lia os jornais e as revistas, lia, ouvia música, almoçava ou lanchava, e às vezes até metia conversa com outros clientes ou com os próprios empregados.

Quando regressei a Londres na vez seguinte, descobri que também a capital inglesa estava cheia de lojas da Borderss, que tinha comprado muitas das livrarias da cidade, entre elas uma das minhas preferidas, uma Books Etc que ficava em Charing Cross, um pouco abaixo do Meeting Point. Foi uma alegria poder prolongar o gozo da Borders na minha cidade preferida.

Uma das coisas mais importantes que guardei até hoje dessa estadia no Wisconsin foi a minha amizade com a Manuela, com quem, desde então, me encontro todos os anos, ou mesmo mais do que uma vez por ano, quando ela vem a Portugal ver a família. Logo num dos nossos primeiros encontros, a Manuela ofereceu-me esta caneca, comprada na ‘minha’ loja da Borders.

A ideia era usar a caneca para os lápis e as esferográficas, mas eu decidi antes pô-la a uso na minha casa e é, desde sempre, a que eu uso para beber leite ou café (tenho outra, que aliás já vai na segunda ou terceira versão, só para o chá). Desde então a Borders já foi à falência, as lojas fecharam, e mesmo no Street View da Google dá para ver que a loja da minha pequena cidade de Wisconsin já desapareceu. Mas o facto é que, todos os dias, como ainda hoje de manhã, uso a minha caneca da Borders para tomar o pequeno-almoço.


(Eau Claire, Wi, 1998)