September 25th, 2014

rosas

estética da dança clássica, thisbe

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Decidi ler este livro de Frederico Lourenço, Estética da Dança Clássica, não tanto por ser fã de ballet, mas porque gosto muito do autor, quer enquanto ficcionista, quer nesta vertente de ensaista. Já conhecia as suas obras auto-biográficas, as crónicas, a colecção de ensaios Grécia Revisitada, e por isso tinha muita curiosidade em ler estes textos sobre dança.

Trata-se de uma colecção de dez ensaios, sendo nove deles inéditos, que dão uma panorâmica geral da história da dança, abordam especificamente o trabalho de determinados coreógrafos (como Balanchine ou Frederick Ashton), ou dedicam-se mesmo a analisar alguns bailados em concreto, nomeadamente os grandes clássicos de repertório.

Frederico Lourenço é um especialista, e por vezes a leitura torna-se complicada, com tantas descrições e termos técnicos. A vantagem é que faz igualmente referências para os meios disponíveis na net, nomeadamente no YouTube, de modo que é fácil ir espreitar para ficar a saber o que é o Fred Step. Aliás, uma das coisas que aprendi com este livro foi que há inúmeros videos de bailado na net, nomeadamente peças completas, que podemos visionar, na íntegra, no conforto dos nossos smartphones.

O ponto é que o livro, em vez de me aborrecer, alargou muito as minhas perspectivas em relação ao ballet, ensinou-me que a dança clássica é muito mais do que os bailados românticos ou da escola russa, despertando a minha curiosidade em relação aos grandes coreógrafos do século XX, em particular os que estão ligados às grandes companhias de bailado norte-americanas e ao Royal Ballet de Londres.

Apesar de ainda me faltarem umas poucas dezenas de páginas para o final (e a leitura progride lentamente, por causa dos envios para o YouTube, mas também porque o meu gato está a roer o livro ao mesmo tempo que eu o estou a ler), a razão porque o trago já aqui é para chamar a atenção para o facto de o Frederico Lourenço ter uma página no Facebook, onde coloca diariamente (e muito cedo) um texto. Não ponho link, mas é fácil encontrar. E é, mais do que provavelmente, a única razão que justifica que um tipo tenha conta no facebook: as crónicas são sempre muito boas, mas às vezes são fabulosas. A de hoje, sobre a Thisbe, está neste caso.