September 18th, 2014

rosas

scotland

Hoje é dia de referendo na Escócia sobre a independência do território em relação ao Reino Unido, e eu se fosse escocês votava não à independência. Gosto muito da Escócia e acho piada a uma certa sobranceria em relação aos ingleses, feita tanto de orgulho nacionalista como de uma espécie de superioridade cultural; mas também de um certo complexo de inferioridade, em relação à hegemonia da Inglaterra.

Mas eu, por um lado, não gosto de nacionalismos, acho que nunca nada de bom pode vir de um sentimento pátrio que tem sempre muito de arrogância xenófoba e ódios destilados por séculos de submissão política e económica e social. E estou a falar em geral, e não no caso da Escócia em particular. Por outro lado, os tempos que vivemos, e a história recente, têm-nos mostrados que a união faz verdadeiramente a força, e que num mundo tão ligado e interdependente, os nacionalismos autonomistas parecem fazer pouco sentido.

A Escócia, de certo modo, fia-se no petróleo como garante da sobrevivência económica de um possível país independente. É certo que as economias frágeis como a portuguesa têm muito menos hipóteses de sobreviver no mercado global competitivo e dominado pela especulação financeira. Se Portugal valesse politicamente o que vale a sua economia, dificilmente teríamos sobrevivido à crise profunda em que o país naufragou na última década. Isto para dizer que a Escócia ganha politicamente em fazer parte do Reino Unido, que é um dos países mais fortes e influentes no mundo, e não é a sua viabilidade económica que lhe vai garantir uma voz importante no concelho das nações.

Apenas estive uma vez na Escócia, há muitos anos, em fevereiro de 1996, dois ou três dias em Edimburgo e um curto passeio pela countryside para ir visitar uma destilaria de whiskey. Foram dias intensos, eu era novo, de modo que foi passear o mais possível, correr a cidade toda, visitar os monumentos, ir a restaurantes e a bares, e até tive tempo para desencantar uma livraria gay e fazer uma incursão rápida. Adorei a cidade, que achei uma das mais bonitas que conheço e fiquei sempre com vontade de um dia regressar. E esta vontade de voltar subsiste, venha ou não a Escócia a ser um país independente.
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Um edit ao texto inicial só para acrescentar que gostei mais da campanha do Yes do que da do No, que achei sempre muito manipuladora, muito baseada na chantagem emocional, no medo: se votarem no sim acontecem-vos desgraças, o banco da Escócia muda-se para Londres, por aí; além de que os políticos ingleses acordaram muito tarde, e assustados pela dimensão do sim nas sondagens, aliás demasiado tarde para poderem ser levado a sério nas propostas de negociação do reforço da autonomia da Escócia. Não obstante, a minha opinião mantém-se.