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the birth of a book
rosas
innersmile
"My difficulty is that I want to have this book start with our departure for America. But I have now realized that I can only put our departure in perspective if I begin with Germany – why I went there – “to find my sexual homeland” – and go on to tell about my wanderings with Heinz and his arrest and the complicated resentment which grew up out of it, against Kathleen and England, Kathleen as England. This is such a long story in itself that it seems absurd to begin with our departure and then immediately go into a long flashback.
I’m also much bothered by the first-person – third-person problem. I thought I’d tell the story as “I” when I’m speaking as the narrator and as “Christopher” when I’m talking about myself in that period."


Um dos aspectos fascinantes decorrentes da leitura dos diários de Christopher Isherwood é acompanhar o processo de escrita das suas obras. O trecho que transcrevi acima é datado de 29 de outubro de 1973. Isherwood tinha decidido algum tempo antes escrever uma autobiografia, decisão reforçada pelo forte abalo emocional provocado pela morte recente do seu amigo o poeta W.H. Auden, em 29 de setembro desse ano.

Auden, a quem Isherwood sempre trata por Wystan (como sempre chama Morgan a E.M. Forster) é um dos maiores poetas ingleses do século XX e autor do famoso Funeral Blues. Na primeira frase da citação, quando Isherwood escreve ‘our departure’, esse ‘our’ refere-se a Auden e a si próprio. E foi também para ir ter com Auden que Isherwood foi pela primeira vez à Alemanha.

Mas voltando ao assunto, o que é admirável no trecho citado é que pela primeira vez no diário, e no processo de escrita da autobiografia, reconhecemos aí o essencial daquilo que viria a ser o livro Christopher And His Kind, apesar de, poucas linhas adiante, Isherwood escrever que tinha decidido intitulá-lo ‘Wanderings’.

O livro viria a ser publicado em 1976 ou 1977, e eu li-o muito recentemente, já este ano, resultado de uma preciosa oferta do meu amigo João Roque. Por isso ainda o tenho muito presente, de forma que encontrá-lo assim, pela primeira vez, ainda como um mero plano de intenções, mas já tão próximo daquilo que viria a ser, deixou-me num estado de maravilhamento, e ainda mais admirador de Christopher Isherwood e da sua literatura.