August 29th, 2014

rosas

stop making sense

A assinalar a última das noites de cinema ao ar livre que o cineclube Fila K organizou este verão, o filme Stop Making Sense, dirigido pelo Jonathan Demme, que captou um concerto (ou melhor, três) dos Talking Heads de David Byrne. A sessão de ontem foi no jardim da Sereia, junto à casa de chá, e houve clima de festa, com bar aberto e tudo.

Apesar dos TH serem uma das minhas bandas preferidas, e do DB ser um dos meus gurus musicais, e do disco com a BS do concerto ser um dos poucos vinis que eu tenho da banda, acho que nunca tinha visto este filme assim direitinho, do princípio ao fim, apesar de conhecer a maioria das sequências/canções, vistas em clips.

O filme é verdadeiramente extraordinário, um dos melhores filmes-concerto jamais feitos, e, na minha opinião, tem como principal mérito o facto de conseguir captar a essência do que era a música dos TH e do DB sem nunca se afastar um milímetro sequer do plano do palco (apenas na última canção são mostradas imagens do público). Acho que isto é conseguido sobretudo porque, ao contrário do que é habitual neste tipo de filmes, a montagem ter sido submetida á imagem; ou seja, em vez de uma multiplicidade de camaras a captar muitas imagens que depois são editadas de forma sincopada, o que temos aqui, na maior parte do tempo, são como que planos sequência em que a camara foca a sua atenção num ou num pequeno grupo de músicos.

Em especial sobre David Byrne que, o filme confirma-o, é um músico (um performer, um artista) genial, que consegue fazer uma síntese perfeita entre a energia pura do rock, o apelo à dança do funk, e a acutilância intelectual e artistica da performance.