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Há muitos anos que não revejo o filme Dead Poets Society, realizado pelo Peter Weir, um realizador de quem tenho saudades. Mas vi-o vezes e vezes sem conta, e de todas elas não conseguia evitar um nó na garganta na cena final, quando os miúdos, capitaneados pelo Ethan Hawke, começavam a subir para cima das carteiras, a bater com os pés e a gritar ‘Oh Captain, My Captain’. Era um gesto de rebeldia contra a escola que expulsara o professor favorito dos alunos, papel desempenhado por Robin Williams, mas era sobretudo uma afirmação do enorme poder libertador da literatura, e da poesia em particular.

Foi este filme que me pôs a ler Walt Whitman de forma compulsiva. Não apenas nesta cena, mas numa anterior, quando Robin Williams diz o verso poderoso ‘I sound my barbaric yawp over the rooftops of the word’. Este verso iniciou-me no Song of Myself, um dos poemas mais transformadores, mais auto-transformadores, de toda a história da literatura.

A força de Dead Poets Society, pelo menos para mim na altura em que o vi pela primeira vez, vinha desse poder dos versos e dos livros, mais até do que da própria história. Mas era impossível dissociar este poder da palavra da personagem que o transmitia e, claro, do actor que lhe dava forma. Sobretudo porque Robin Williams chegava a esse papel vindo do histrionismo de Good Morning Vietnam, onde tinha um papel mais à medida do seu talento de comediante.

Depois destes dois filmes, Robin Williams fez uma carreira imensa, em termos de número de filmes, e muito popular, sobretudo no registo de comédia, mas não só. Aliás é curioso que os seus trabalhos que eu mais recordo não são em comédias, mas em dramas como Good Will Hunting (de Gus Van Sant) ou The Night Listner, ou mesmo em thrillers como Insomnia (de Christopher Nolan) ou One-Hour Photo. Além disso fez dois filmes com Spielberg, Hook e A.I., e um com Woody Allen, Deconstructing Harry. Quanto às comédias, se Mrs Doubtfire lhe deu o estatuto de estrela de filme de Natal, o meu preferido de todos é The Birdcage, a versão americana, realizada por Mike Nichols, da célebre comédia francesa A Gaiola das Malucas.
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