August 9th, 2014

rosas

a most wanted man

Não sou grande leitor de John Le Carré, mas A Most Wanted Man é, de todos os filmes que vi adaptados de obras suas, aquele que me parece traduzir o ambiente dos seus romances. E o mérito é muito de Philip Seymour Hoffman, que compõe um espião Le Carré em queda, um homem sozinho, ainda que bem acompanhado, à procura da sua redenção e, dir-se-ia, condenado ao fracasso, num mundo sem ética que não se apieda dos puros. Claro que o mérito também é de Anton Corbijn, que não apenas conseguiu tirar uma interpretação a PSH daquelas em que se ouve o coração ranger, mas faz um filme seco, sempre atento ao progresso da narrativa, e a deixar tudo o que é essencialmente humano nesta história a pulsar nos silêncios e nos detalhes, sobretudo os do corpo e do trabalho do seu actor.

É impossível ver este filme sem estar constantemente a pensar no enorme absurdo de termos ficado tão cedo sem um actor da dimensão de PSH. Não há outro, pelo menos que eu me lembre, capaz deste registo simultaneamente tão intenso e minimalista, com uma tão grande economia de efeitos, mas com um domínio completo dos recursos. Mas o filme de AC traz-nos ainda outros desempenhos entusiasmantes: o da Robin Wright e do William Dafoe, ou ainda os de Rachel McAdams, Nina Hoss ou de Daniel Bruhl, o inesquecível actor de Good Bye Lenin.