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the wizard of oz
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Apesar de ontem estar uma noite particularmente fresquinha (e de eu hoje estar muito dado aos eufemismos), foi excelente regressar às sessões ao ar livre que o cineclube Fila K organiza no Museu do Convento de Santa Clara A Velha. Aliás, o mês passado já houve, mas eu só soube na semana passada e não pude ir. Este mês de agosto é dedicado aos musicais, e há sessões às terças, mas também às quintas-feiras, estas no jardim da Sereia. Musicais mais antigos no museu, e mais recentes no jardim.

Acho que nunca tinha visto O Feiticeiro de Oz em tamanho gigante (eu ia dizer no cinema, mas de facto são projecções de dvd), e não há, para mim claro, semelhança nenhuma entre ver os filmes no ecrã pequeno da tv ou do computador e vê-los assim em tamanho XL e a olhar para cima (e neste caso com a mais valia de olhar mais um bocadinho para cima e ver as estrelas: lá estava a Ursa Maior, que eu já tinha visto a semana passada na Quinta das Lágrimas, uma vez que, quer ela quer eu, repetimos as nossas posições relativas e os nossos alinhamentos!)

O filme é delicioso, ainda melhor desfrutado assim numa sessão de cinema. Claro, conheço relativamente bem o filme, por isso pude antecipar as cenas que queria fotografar para por aqui no innersmile. Mas ainda assim surpreendeu-me a sua modernidade, e não estou a falar obviamente dos efeitos especiais, mas do seu sentido de narrativa e de aventura. Não admira que seja um filme tão decisivo e influente na história do cinema norte-americano.

Já não me lembrava de como o leão era tão gay, e o que é curioso é que, apesar da idade do filme, a sua mariquice nunca servir para o cobrir de ridículo, mas sim para explorar uma possibilidade narrativa de comédia, que desperta mais ternura do que gozo. De resto, as minhas cenas preferidas, para além das iniciais no Kansas (de génio; o tornado visto da janela do quarto de Dorothy é a mais perfeita metáfora do próprio cinema), são as passadas na Yellow Brick Road quando se juntam os quatro companheiros de jornada (sem falar no cão, como no livro de Jerome K Jerome).
Por outro lado continuo a achar um pouco arrepiantes as cenas iniciais em Oz, no Munchkin Country, os munchkins parecem directamente saídos do elenco dos Freaks; muito mais asustadores do que a Wicked Witch of The West, suponho que os munchkins, em obediência ao princípio de que o que nos fascina é o que nos mete medo, tenham aterrorizado os sonhos de milhares e milhares de criancinhas nas noites a seguir ao visionamento do filme.

Mas para mim o melhor do filme, a par das canções, são os textos, as falas de Dorothy, os diálogos. Ou são mesmo muito bons, ou então é como reler um livro de que sublinhámos as frases que mais nos tocaram: saltamos de citação em citação, maravilhados, ao mesmo tempo, com a redescoberta do seu sentido, e, sempre, com o cativante poder das palavras.
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