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snowpiercer
rosas
innersmile
Fui ver Snowpiercer por recomendação da Margarida e gostei bastante do filme. Realizado pelo sul-coreano Bong Joon-ho, adaptando uma banda desenhada francesa, que eu não conhecia, conta uma história em cenário pós-apocalíptico, de um comboio que rola pelo planeta em movimento perpétuo, depois de uma nova idade glacial, provocada pelo homem, ter extinguido toda a vida no planeta.

Para além da aventura de ficção científica, o filme, como é timbre das distopias, tem muitas referências e envios para o estado da civilização, permitindo uma leitura em camadas. A começar pela metéfora social: no comboio há uma separação rigorosa, e policialmente garantida, entre os pobres e excluídos das últimas carruagens (porém necessários para que o comboio funcione) e os ricos e afluentes das carruagens da frente. Como digo, a pluralidade de leituras é grande, e uma das que achei mais interessante, pela sua abordagem, foi a que, de certa maneira, se inscreve numa outra distopia famosa, a do Triunfo dos Porcos de George Orwell, qual seja a de questionar o papel que cabe ao líder revolucionário depois de conquistar a vitória.

Para além disto, o filme é muito gráfico e visual. As carruagens, que vamos conhecendo à medida que os revolucionários vão conquistando terreno na sua corrida para a locomotiva, funcional como pequenos universos visuais, muito marcados do ponto de vista gráfico, quase como se fossem (ainda) banda desenhada. Para além disso, o filme tem uma certa atmosfera de série B que também me agradou muito, quer num simplismo quase forçado de algumas soluções cénicas, quer, sobretudo, nos planos de exteriores do comboio, esses em que o mundo é um deserto gelado feito de ruinas da nossa civilização.

Outra coisa boa do filme foi trazer-nos novamente a Tilda Swinton e o John Hurt no mesmo filme, pouco tempo depois da fita de vampiros do Jim Jarmusch. O protagonista é Chris Evans; não sei se já tinha visto algum filme com ele, mas não me impressionou. Outro dos protagonistas é o Jamie Bell, inesquecível para quem viu o filme Billy Elliot na altura certa, ou o Tintim do Spielberg, apesar de ele neste filme estar muito disfarçado. E, já agora, o filme serve ainda para matar saudades de um outro actor que marcou uma época, o Ed Harris.
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