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13
rosas
innersmile
O innersmile faz hoje 13 anos.

Apaguei há pouco um texto que tinha escrito já há uns dias sobre a recente erupção da crise no Médio Oriente. Não é, digamos assim, o primeiro acto de auto-censura que pratico nestes anos todos de online journaling (para já não falar nos inúmeros textos que nunca chego a escrever por pura preguiça). Apaguei o texto por duas razões: as opiniões sobre esta matéria estão tão extremadas que quem não concordasse comigo nunca iria ler com atenção o que escrevi, não tendo sequer a certeza de que o que escrevi não estava de igual forma contaminado por essas opiniões radicais; e, provavelmente mais importante, não tenho a certeza se o que eu escrevi continha alguma coisa interessante, que, de qualquer modo, valesse a pena ser lido.

Escolhi começar este texto a falar disto porque é uma coisa que me tem feito pensar nestes últimos dias. Hesitei muito em pôr ou não o texto. Não tenho este diário para me aborrecer com as pessoas nem sequer para discutir com elas. Já houve ocasiões, ainda que raras, em que eu percebi que um texto incomodava algumas pessoas e pu-lo em modo privado. Mas desta vez decidi, como disse depois de muita hesitação, nem sequer o publicar. Mantive o texto, claro, li-o e reli-o, mas depois de decidir que não o ía pôr online, apaguei-o. De certa forma este texto agora resolve-me o problema da auto-censura: não pus o texto original, mas ponho este em que discuto o assunto.

E esta ocasião do 13º aniversário pareceu-me adequada para falar no assunto, porque mostra, de certa forma, que o innersmile continua a ser, para mim, muito relevante. É digamos, uma coisa que eu levo a sério, apesar de me esforçar por não o deixar levar-se a sério. Mas mostra ainda outra coisa: apesar de eu ter a noção de que há cada vez menos pessoas a lerem isto, e as que lêem fazerem-no com relativa indiferença, só dá gozo continuar a escrever aqui quase todos os dias, apenas e na exacta medida em que suponho que ainda haja que o leia, ou mesmo quem o continue a ler com regularidade.

Apesar de ter havido variações no estilo e nos conteúdos, o ponto é que eu olho para estes 13 anos de escrita e parece-me divisar um certo contínuo. Ou seja, o innersmile é mais ou menos o que sempre foi. É sempre a mesma coisa. E, claro, isso é bom mas também é mau. Provavelmente, eu continuo a escrevê-lo, quase diariamente, porque isso é bom. Mas, naturalmente, há cada vez menos pessoas a lê-lo, porque isso é mau.