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Não sou propriamente um idólatra, mas tenho, e sempre tive, alguns ídolos pessoais. A maior parte deles foram, e são cada vez mais, ídolos literários: escritores, personalidades históricas, ou mesmo personagens de ficção (estou a lembrar-me, por exemplo, do Delegado Espinosa ou do Kurt Wallander; ou mesmo, na outra ponta do eixo, do Tom Ripley). Também tenho ídolos do cinema, quase todos realizadores (mas também algumas personagens, como o Lawrence da Arábia do filme de Lean).

Talvez por nunca ter sido muito desportista, nunca tive muitos ídolos do desporto. No futebol, só tive um, e continuo a ter, o guarda-redes do Sporting Damas, que foi um senhor do futebol, quando até o futebol tinha senhores, e não apenas dirigentes mafiosos e jogadores tatuados.

Um dos meus raros ídolos do desporto foi o nadador australiano Ian Thorpe. Reparei nele, claro, como o resto do mundo, nos jogos olímpicos de Sidney, em 2000, quando Thorpe dominou a piscina com a agressividade e a graça de um tubarão. Depois dos jogos de Atenas, em 2004, a estrela desportiva de Thorpe apagou-se, mas ele nunca saíu completamente da ribalta, apesar de nem sempre pelas melhores razões. Foi nestes jogos de Atenas que começou a emergir uma outra estrela da natação, o Michael Phelps, que é provavelmente o melhor nadador de sempre, mas não tem uma pinga do carisma do ‘Thorpedo’.

Uma das polémicas que sempre rodeou o nadador foi a sua orientação sexual. Desde sempre correram humores de que seria homossexual, o que Thorpe sempre negou veementemente, até tão recentemente quanto há dois anos, quando publicou uma autobiografia em que mais uma vez negava essa possibilidade. Até ao último fim de semana, quando, numa entrevista televisiva a Michael Parkinson (cujos programas de entrevistas eu nunca perdia quendo estava em Londres), Ian Thorpe finalmente assumiu publicamente aquilo que, acho eu, o mundo descobriu ainda antes dele próprio, e proferiu as palavras: “I’m comfortable saying I’m a gay man”.