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por detrás das cortinas
rosas
innersmile
bme5

Ouvi falar no livro há umas semanas, por mera casualidade, já que a conversa nem era comigo; quem comentou, criticou o projecto do livro por se basear num abuso de confiança por parte da autora, uma jornalista chamada Marta Dhanis, em relação a Renato Seabra. Hoje vi o livro à venda, folheei-o, e achei-o suficientemente interessante para o trazer. Antes ainda de começar a ler, pesquisei-o na net, e encontrei novamente muitas criticas quer à decisão de divulgar essas cartas, quer ao facto de elas terem sido usadas para chamar a atenção para a publicação do livro.

Li o livro numa penada, apesar de ele não ser propriamente grande. E gostei. Achei-o ponderado, bem suportado, e sobretudo nada especulativo ou sensacionalista. Essencialmente, o que faz é basear-se no julgamento, fazendo-lhe uma espécie de 'close reading', e partindo dele para apresentar uma certa visão dos factos que, tanto quanto me apercebi, é praticamente coincidente com a do julgamento. Apenas no último capítulo a autora apresenta, de maneira explicitamente assumida, a sua opinião acerca do que terá acontecido, e essa opinião nem sequer é condenatória (à falta de melhor adjectivo) em relação a Seabra.

O único sinal de alarme, por assim dizer, que encontrei prende-se com o facto de haver demasiadas expressões que são traduções literais do inglês, e resultarem mal em português. E digo que é um sinal de alarme porque fiquei na dúvida se a autora terá escrito o texto em inglês e depois o traduziu, ou se terá feito a tradução de outras fontes. Mas tirando essa dúvida, não encontrei nada a apontar de censurável, nomeadamente dos pontos de vista ético ou deontológico. Nem a questão das famosas, ou infames, cartas, até porque a autora faz delas um uso muito parcimonioso e nunca passando o limite daquilo que é relevante para a narrativa do livro.

É claro que nunca poderemos saber exactamente o que se passou entre Carlos Castro e Renato Seabra que tenha desencadeado o crime, mas a perspectiva que Marta Dhanis apresenta é bastante plausível. E a sua 'explicação' toca aquilo que no caso me interessa, que é saber até que ponto o carácter homossexual da relação entre ambos forneceu a dose de tensão e conflitualidade que provocou a explosão.

fare niente
rosas
innersmile
398010_original 398104_original 398505_original Há lugares que são sempre refúgios de tranquilidade e paz de espírito. Estou de regresso a um dos meus favoritos, para três dias de 'fare niente'. Dulcíssimo, espero.