June 30th, 2014

rosas

yves saint laurent

Fui ver no fim de semana, o filme-biografia sobre Yves Saint Laurent, realizado por Jalil Lespert, e com Pierre Niney e Guillaume Gallienne nos papéis de YSL e de Pierre Bergé. O argumento do filme assenta num equívoco que, de certa maneira, macula o seu visionamento: muito mais do que YSL, é Pierre Bergé a principal personagem do filme. É sempre sua a perspectiva do filme, e é ele que o filme apresenta como o lado solar que permitiu o sucesso de YSL. Não está em causa se isso corresponde à realidade ou não, admito que sim, mas o espectador não consegue evitar a sensação de que o filme lhe dá gato por lebre.

Um aspecto positivo, que me surpreendeu, foi a presença da homossexualidade: do princípio ao fim, Yves Saint Laurent é um filme gay, em que a homossexualidade dos protagonistas não só está presente como é, de certo modo, ou pelo menos em muitos dos seus momentos, o motor narrativo do filme. Isto acontece logo desde as cenas iniciais, em que a homossexualidade de YSL é anunciada de modo pouco menos que subtil, e que constitui como que um programa para o que se segue.

Muitas vezes o filme redunda num excesso de formalismo que, ainda que se compreenda que seja inevitável, desumaniza a história que se quer contar. Salva-os, ao filme e à história que conta, o excepcional trabalho dos actores. São eles que evitam que YSL e Bergé se transformem em manequins numa passagem de modelos, insuflando nas personagens o sopro do conflito e da angústia. Para além dos dois principais, destaca-se ainda a presença de Nikolai Kinski, filho de Klaus Kinski, no papel de Karl Lagerfeld, e de Ruben Alves, o realizador de A Gaiola Dourada, no papel de um dos membros da entourage hedonista de YSL.