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moçambique, para a mãe se lembrar como foi
rosas
innersmile
1507-1

Uma memória, pessoal mas com o devido enquadramento histórico, de quase uma década de vida em Moçambique. Com a mais-valia de nos trazer, de modo muito fiel, o que eram as vivências quotidianas da classe média colonial ao longo dos anos 60 e inícios de 70, nomeadamente com o eclodir da guerra colonial.

Esta mais-valia é particularmente significativa, porquanto a experiência pessoal da autora, na maior parte da sua estadia, fez-se fora dos grandes centros urbanos, pelo contrário, em lugares remotos, como Tete e Vila Cabral, onde a experiência da guerra conheceu dois dos seus epicentros. Muitos dos relatos do livro, vieram ao encontro, ou mesmo despertar, as minhas próprias memórias da guerra colonial, que eu vivi de perto, porque vivíamos em Nampula, o centro das operações militares de todo o território moçambicano, e muitos dramas da guerra e dos soldados passaram pela nossa casa.

É o terceiro livro de Manuela Gonzaga que leio, depois da biografia de António Variações, e de Doida, Não e Não, a história, verídica, de uma mulher da alta sociedade lisboeta do início do século XX, que é tratada como louca por se apaixonar, e assumir a paixão, pelo seu motorista.

Trata-se, na minha opinião, de um livro essencial para todos quantos se interessam pelo passado colonial português, nomeadamente para os que o viveram em Moçambique. E com uma utilidade acrescida, dada a investigação documental que é apresentada em nota bibliográfica. Nomeadamente quanto à existência de vários blogs que se dedicam ao tema da guerra colonial, normalmente da autoria de ex-combatentes, e que eu desconhecia de todo.