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Foi, pelo menos, e tanto quanto me lembro, o quarto concerto de Camané a que assisti, ontem, no CAE da Figueira da Foz. E se é verdade que tive sempre a impressão, a cada novo concerto, de que a voz e o canto do Camané estavam sempre melhores, no concerto de ontem o Camané foi pura e simplesmente perfeito. Uma coisa de arrepiar, exaltante e comovente. É o domínio técnico da voz, claro, mas é mais do que isso, é o fraseado perfeito, a contenção e a concentração, a capacidade de transmitir emoções e sentimentos com uma simplicidade aparente. Um tipo está a assistir ao concerto e a ter a plena noção de que está a viver um momento extraordinário e irrepetível.

Segundo o próprio cantor anunciou, foi o último espectáculo da digressão O Melhor Ao Vivo, que se seguiu à edição do CD o Melhor 1997-2013. Talvez por isso, não sei, o Camané estava feliz, descontraído, e isso transmitiu-se ao público.

José Manuel Neto, na guitarra, Carlos Manuel Proença, na viola, e Paulo Paz, no contrabaixo, foram os músicos que acompanharam. Pelo menos os dois primeiros são os músicos que tocam habitualmente com Camané, e essa comunhão entre músicos e cantor contribui igualmente para a excelência do concerto.

Foi uma semana fantástica de óptimos concertos: na segunda, o Rodrigo Leão, que é um dos melhores músicos da área da pop nacional; na quinta, o jazz da Jacinta, que é uma das melhores cantoras de jazz em Portugal; e finalmente ontem o expoente máximo do fado actual. Isto praticamente sem sair de casa, se considerarmos que Figueira e Coimbra são cidades praticamente vizinhas. Provam-se, acho eu, duas coisas: que a música portuguesa está cheia de valores seguros, de músicos excelentes que tornam o panorama musical muito rico; e por outro lado que essa riqueza tem a ver com o facto desses músicos levarem a sua música a todo o país, e que as pessoas estão disponivéis e desejosas de os ouvir.
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