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rodrigo leão e ólafur arnalds
rosas
innersmile
Excelente concerto ontem, no TAGV, o primeiro, de três, que reuniu o Rodrigo Leão, acompanhado pela Celina da Piedade e pelo quarteto de cordas que habitualmente o acompanha, com a participação especial da cantora Angela Silva, ao músico islandês Ólafur Arnalds, que trouxe como convidado o cantor Árnor Dan.

O concerto teve várias partes distintas. Arrancou com Ólafur Arnalds, e a sua música minimal e ambientalista, feita com piano, cordas, e loops e batidas electrónicas. Logo a abrir, o músico pediu a participação do público para gravar um sample vocal que serviu de intro e suporte ao primeiro tema apresentado. Com este gesto, ganhou logo o público. Tanto mais que Ólafur gosta de dialogar com o auditório, e tem um sentido de humor muito apurado.

Depois de um tema já com o RL em palco, o concerto ficou por conta deste, e das suas habituais vinhetas sonoras, muito cinéfilas e evocativas, com a Celina da Piedade e o quarteto de cordas. Depois entrou em cena a soprano Angela Silva, para apresentar um conjunto de temas mais antigos do repertório de RL, todos cantados em latim, uma espécie de Ave Mundi Luminar em versão electrónica. Para o fim do espectáculo, novamente os dois músicos em colaboração. Nos encores, um tema a solo de Ólafur, lindíssimo, e Sleepless Heart, de RL, com o Árnor Dan a assegurar os vocais.

A música do islandês deu o mote para a noite, muito ambientalista e electrónica, mesmo nos temas do Rodrigo Leão, que, mais uma vez, dá prova do seu gosto pelas colaborações com outros músicos, e que esse gosto é feito principalmente da vontade de experimentar a sua música em territórios alheios, mais até do que trazer coisas diferentes para a sua música.

Esta vontade de experimentar, para mais tratando-se de um artista consagrado, é uma das coisas de que gosto muito no músico português. Um dia destes tenho de fazer contas ao número de concertos de RL a que já assisti. E é curioso, porque sem nunca tomar exacta consciência do quanto sou fã, o ponto é que a música do RL é das que está mais presente na minha vida, e a cujos discos estou sempre a regressar. Para além de ser uma das minhas companhias preferidas de leitura.
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