May 24th, 2014

rosas

grace of monaco

Caramba, já não ia ao cinema há meses. E o ponto é que não foi grande escolha para regressar às salas: Grace of Monaco, de Olivier Dahan é fraquito; o argumento não é grande espingarda, a realização é um bocadinho pretenciosa, e nem as interpretações são assim grande coisa. Pergunto-me se a personagem da Grace Kelly e o principado no Mónaco seriam à partida boas ideias para se fazer um filme, e nem disso tenho bem a certeza.

De qualquer forma, o filme tenta criar um certo pathos, para alimentar o drama, ligando as dúvidas íntimas de Grace acerca da justeza da sua decisão de trocar o cinema por uma história de contos de fadas (faitytale é mesmo um dos leitmotifs da narrativa), à crise diplomática que opôs De Gaulle a Rainier, a propósito do Mónaco ser um paraíso fiscal, e que justificou um bloqueio na estrada que liga a França ao Principado e esteve quase a pôr os tanques gaulistas a desfilarem nas ruas de Monte Carlo.

Mas o resultado é um pouco como um texto que a gente lê, que pretendia ser muito profundo e poético, mas que não passa de uma soma de clichés e lugares-comuns: não sabe a nada e é até um bocadinho irritante. Mas há qualquer coisa que se salva no filme, e que é a possibilidade de vermos uma história que se passou há relativamente pouco tempo, mas num mundo completamente diferente do actual; falo do papel das celebridades e do star system no fenómeno mediático. O que o filme de Olivier Dahan nos permite recordar é como é que as coisas se passavam quando havia distância entre os protagonistas e o público, suficiente para preservar os mistérios e alimentar sortilégios e, é claro, omitir as fragilidades. No mundo actual dos reality showns e do instant messaging, Grace of Monaco quase nos faz ter saudades do tempo em que era possível acreditar das fairy tales.