May 16th, 2014

rosas

sebald e borges

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Comecei há poucos dias a ler mais um livro de W. G. Sebald, Os Anéis de Saturno. Como sempre, o livro é um digressão por paisagens e histórias e estados anímicos, com o detalhe e a percepção, e a elegância literária, que fazem de Sebald um escritor admirável e irresistível.

Desta vez o ponto de partida é uma viagem a pé pela costa oriental inglesa (o mar da Alemanha), na região de Norwich e Ipswich, que vai fornecendo ao autor os pretextos para as suas deambulações. Às tantas, no terceiro ou quarto capítulo, Sebald fala de um conto de Borges, Tlon, Uqbar, Orbis Tertius, que me despertou o interesse.

Não me lembrava nada do conto, apesar de já ter lido Ficções, o livro onde ele está inserido, há muitos anos. Fui à procura do livro, uma edição já antiga, de 1969, da Livros do Brasil. Durante muitos anos tive o hábito de assinar e datar os livros, e recentemente não faço por desleixo ou esquecimento. Mas neste, lá está a data: outubro 86! Era impossível lembrar-me do conto, claro, tantos anos, e tantos livros, decorridos.

Comecei a ler o conto, mas já estava a ficar tarde e adormeci, cheio de sono. Agora não sei muito bem como é que hei-de gerir a leitura dos dois livros, pois está-me a apetecer muito ler ambos.

Numa nota aparte, esta foi a primeira noite do ano em que me deitei com as portadas de vidro do quarto abertas. Acordei por volta das duas e meia da manhã com a música das noites da queima, que este ano ainda não tinha ouvido, até tinha pensado que deviam ter baixado o volume sonoro. Não sei a programação, mas acho que estavam a tocar os Buraka Som Sistema. E sim, a minha casa fica razoavelmente distante do recinto dos concertos.