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Amada Vida, de Alice Munro, foi uma prenda de aniversário que estava ali em lista de espera, e que veio de encontro à vontade que eu tinha de conhecer os contos da escritora que ganhou, o ano passado, o prémio Nobel da literatura.

Fiquei absolutamente rendido. Há qualquer coisa de intensamente tranquilo e exaltante nas histórias de Alice. Não há grandes acontecimentos, são histórias da vida das personagens, pequenos momentos quotidianos, quase nadas, mas que não só parecem encerrar o sentido das suas vidas, como são transformadoras e essenciais. Num certo sentido, fizeram-me lembrar as histórias do Raymond Carver, que eu li vorazmente há muitos anos; há um certo minimalismo, não só de recursos narrativos como na forma de invocar sentimentos e emoções, que me fez lembrar os contos de Carver. Mas são histórias mais felizes, não no sentido do happy ending, mas no de haver um certo apaziguamento com a vida, descobrir que ela faz sentido mesmo quando nos acontecem coisas menos boas.

Os quatro últimos textos do livro são antecedidos de uma nota em que a autora diz (não cito porque escrevo sem o livro à frente) que se trata de relatos autobiográficos, se não nos factos pelo menos nos sentimentos, e que são os primeiros e últimos textos, e os mais íntimos, em que ela fala da sua vida. São histórias admiráveis, recordações de infância, nas quais a autora se mostra de forma frágil e delicada. E o que é mais interessante, extremamente coerentes, no tom, com os textos ficcionais. É importante lembrar que Alice Munro tem 83 anos (nasceu no mesmo ano da minha mãe, 1931), e publicou este livro há dois anos, com a consciência de ser muito provavelmente o seu último livro.