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sempre
rosas
innersmile
“Para todos nós que sabemos o que a guerra foi cá e lá, o vinte e cinco de Abril é para sempre uma data feliz!”

Esta frase foi escrita num comentário a um texto que publiquei aqui no dia 25 de abril de 2007, e quem a escreveu foi a minha antiga e nova amiga, Madalena. E, para mim, resume o que de essencial tenho a dizer sobre a data de hoje: se não fosse por mais nada, acabar com a guerra e com a matança de jovens portugueses e angolanos e moçambicanos e guineenses tinha sido razão suficiente para fazer uma revolução.

Mas há mais. Mesmo em tempos desencantados como os que vivemos actualmente, com líderes que conseguem a proeza de ser os piores de nós, e de incorporarem o pior de nós, mesmo assim, prefiro sempre a ideia de país que temos de nós próprios do que aquela que eu tenho do que era o país antes de 1974. Como dizia uma canção dos tempos do PREC, “somos livres, somos livres de voar”; e mesmo que nos falte o golpe de asa para voar como a gaivota, voamos baixinho ou aos saltos, mas voamos, não somos, e espero que nunca voltemos a ser, aves de capoeira ou de gaiola.

Ter mais doze anos do que os 40 da revolução de abril de 74 por vezes é aborrecido, é muito tempo. Mas tem-se a vantagem de ter memória de outros mundos, de outras vidas, e dos tempos extraordinários e assombrosos em que uns mundos terminaram e outros começaram. É, apesar de tudo, um privilégio ser um rapaz que já vem do tempo do 25 de abril. Faz-me valorizar o que temos, e acreditar que o melhor da festa ainda está sempre para vir.


E agora, se tudo correu como previsto, a esta hora já devo ir no comboio em direcção ao sul, para três ou quatro dias de sobrinha-neta. Espero que esteja sol; é, juntamente com a minha baby, tudo o que preciso.