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fim de semana pascal
rosas
innersmile
O meu fim de semana pascal foi muito tranquilo; não sei se por causa do tempo, sempre fosco, foi até marcado por um toquezinho de angústia. Não dormi muito bem: poucas horas e muitos sonhos, daqueles muito elaborados. Hoje quando acordei estava ferradíssimo a sonhar com duas miúdas adolescentes, mas assim mesmo pitas, muito novinhas, à minha porta, mas não era a minha porta, era uma outra minha porta qualquer, a venderem-me edições encadernadas, daquelas pesadas, tipo enciclopédia, das obras do Kafka. Eu estava a pensar que não precisava daquelas edições para nada, até era um pouco embaraçoso ter em casa livros do Kafka com aquele tipo de edição, cheias de couro e dourados e vermelho sangue-de-boi. Mas, por um lado não conseguia dissuadir as miúdas, estava-me a custar dizer-lhes que não, e por outro os livros eram muito baratos. Quando acordei, com o despertador, uma das miúdas esta a tentar convencer-me a comprar O Processo e O Castelo por seis euros.

Na sexta-feira à noite descobri, ao fim de catorze anos a viver nesta casa, para que serve o bidé: para rebentar um cano e ter a casa de banho inundada. No sábado consegui arranjar um canalizador, um ucraniano, muito jovem, alto e espadaúdo e razoavelmente bonito. Gostei logo do rapaz e, muito rapidamente, consegui lembrar-me de arranjar uma torneira avariada para ele lá voltar hoje outra vez. O problema é que não percebi bem se o cano do bidé ficou arranjado ou não: ao longo do fim de semana, quando ia espreitar, umas vezes estava seco outras estava outra vez o chão com água!

Para além de ler um livro do Isherwood como se não houvesse amanhã, passei grande parte do fim de semana em casa dos meus pais: tiveram a visita do filho da cuidadora deles, que está a estudar na Alemanha, e veio passar a Páscoa com a mãe. Um puto de vinte anos, alto, loiro, muito bem disposto, a dar vida a uma casa habitualmente muito tristonha. Até o meu pai parecia estar mais antenado. Às tantas, o rapaz ensinou o meu pai a tirar fotos no tablet e ele interessou-se e aprendeu. Mas a seguir entrou num daqueles loops de perguntas, e de três em três minutos perguntava ao rapaz se a fotografia ficava ‘ai dentro’, de modo a que se ele ‘amanhã’ a quisesse ver, podia. O rapaz lá ia pacientemente respondendo que sim, e de cada vez ensinava-o a recuperar a foto para a visualizar. Até que, aí pela décima ou vigésima repetição, virou-se para o meu pai e disse-lhe: sim, pode ver amanhã, depois de amanhã, semana que vem, e até no próximo ano!

Por conta do rapaz, ontem à tarde fui ao Forum, que, aos domingos à tarde, é um sítio absolutamente proibido. Estava cheio de gente, mas mesmo assim não tão mau como eu temia. Fui à Fnac, onde não entrava há anos, e descobri que agora eles também vendem electrodomésticos para a cozinha: batedeiras, liquidificadores e outros acessórios. Deve ser tudo muito trendy, porque os preços eram caríssimos. Juro que estive a um bocadinho “assim” de perguntar a um dos empregados onde é que era a secção de mercearia, mas tive vergonha. A propósito, a Fnac está a lançar uma revista dedicada aos livros, chamada Estante. Vai ser trimestral, e este primeiro número é gratuito, apesar de ter marcado o preço de capa de € 1,50. Claro que a intenção da publicação é fazer o marketing da loja, mas mesmo assim achei a revista engraçada, vale a pena passar por uma das lojas e levá-la.