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rui chafes + joão tabarra
rosas
innersmile
Gostei muito das duas exposições que fui ver ao CAM. Gosto quando a arte me provoca e interpela, e foi o que aconteceu nestas duas mostras, de João Tabarra e Rui Chafes.

Narrativa Interior, de João Tabarra mostra uma série de trabalhos de grande formato, em fotografia e video, que usam a imagem para invocar narrativas, quase cinematográficas, e que põem o próprio artista no centro da representação. Há nestes trabalhos uma certa ideia de risco, por vezes mesmo de risco físico, ou apenas de uma certa exposição que é, no entanto, quase sempre dissimuladora, mais do que reveladora. João Tabarra conta-nos histórias, por vezes marcadas por um humor muito provocador, mas mais do que as suas, são as nossas narrativas que se convocam.

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A exposição de Rui Chafes é antológica, reunindo 25 anos de escultura em ferro. Gosto muito dos trabalhos de RC, que exercem sobre mim fascínio e sortilégio, e esta exposição magnífica foi muito inspiradora. Por um lado agrada-me muito o carácter minimal, por vezes de um conceptualismo quase seminal, de muitas destas esculturas. São, nas suas formas, simples e quase naturais, e esse é outro dos confrontos que suscitam, entre uma proximidade à natureza (troncos, aves, formas vegetais muito simples) e uma densidade negra e cheia de mistério.

As esculturas de RC parecem as histórias que sobraram dentro dos buracos negros, memórias encerradas para sempre dentro do ferro, e que pedem, na sua leveza e vocação para o voo, para serem contadas, por vezes de forma quase lancinante. Nem é bem uma vocação para o voo, é mais um desprendimento, como se a força da gravidade fosse de súbito invertida, e estas memórias profundamente encerradas ascendessem respondendo a um apelo inexorável. São peças que nos interpelam, que nos pedem para as levarmos connosco, para descobrimos a sua aérea tristeza, para nos forrarmos com a sua ternura escondida.

A exposição do CAM traz-nos alguns dos trabalhos mais marcantes de Rui Chafes, e resulta de uma organização interventiva, em particular explorando a relação entre a sala, a grande nave do CAM, e os jardins circundantes, e esse aspecto, o de podermos experimentar estas esculturas quer na forma como extravasam da sala para a natureza, quer quase numa dimensão de flora, de espécimes do próprio jardim, marca outro dos sortilégios de O Peso do Paraíso.

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