April 16th, 2014

rosas

the grand budapest hotel

Estava com tanta vontade de ver The Grand Budapest Hotel que ontem lutei contra o sono e o cansaço de meio da semana, e fui ao nimas. E ainda bem, porque adorei o filme. Ok, não é que isso seja grande novidade, pois gosto muito dos filmes do Wes Anderson, mas mesmo assim é delicioso um tipo ir à espera de gostar muito e gostar mesmo muito.

O plot é uma jóia de jogos e referências: em 1932, numa república na Mitteleuropa, devastada por uma guerra e à beira de desaparecer por causa de outra, a vida segue igual para um conciérge de um hotel de montanha: rigor nos gestos, aprumo no fardamento, requinte nos pormenores, e noites de prazer com as clientes velhas, louras e ricas. A morte inesperada (era tão jovem, aos oitenta e tal anos) de uma das suas clientes, põe o conciérge, ajudado pelo seu lobby boy, a lutar contra tudo e contra todos para provar a sua inocência.

Tudo o que esperamos de Wes Anderson está lá: o formalismo, o maneirismo, a ironia delicada e subtil, as cores saturadas, os planos geométricos, a escrita deputada, as referências cinéfilas e literárias, a ternura pelas personagens (é incrível como as personagens dos filmes de Anderson, apesar de caricaturais, são sempre personagens de carne e osso e alma), e por aí vai.

A galeria de actores é notável, entre habitués dos seus filmes e novatos. Ralph Fiennes carrega o filme todo ao colo, co-adjuvado por um fantástico Tony Revolori; depois é uma lista que é um prazer quase erótico pronunciar: Tilda Swinton, Andrew Brody, Harvey Keitel, William Defoe, Jeff Goldblum, Edward Norton, Bill Murray (claro, não podia faltar, não é?), Owen Wilson (outro), F. Murray Abraham, Mathieu Amalric (tão bom que até comove), Jude Law, Jason Schwartzman (pois), Tom Wilkinson, Bob Balaban, Saoirse Ronan, Léa Seydoux.

Só mais uma nota para referir que o filme é inspirado, e cita directamente, o universo literário do escritor austríaco Stefan Zweig. Nunca li nada deste autor, mas lembro-me de que, na minha infância e juventude, era um escritor muito popular, não havia biblioteca ou mesmo estante da sala, que não tivesse um dos mais dos seus livros. Já tinha curiosidade em ler algum livro seu, e fiquei ainda com mais vontade.