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aquário
rosas
innersmile
Às vezes quando vou nadar, partilho a piscina com o treino dos rapazes e raparigas do hóquei subaquático. Normalmente na piscina de 50 mts, que, como é tão grande, mal dá para me aperceber da sua presença. Mas uma destas noites partilhámos a piscina de 25 e aí sim, eles estão a treinar mesmo ao meu lado e é impossível não dar por eles e pelos seus movimentos no fundo da piscina. Gosto particularmente de quando eles se juntam numa das extremidades da piscina e receber instruções do treinador, vistos de dentro da água, as longas barbatanas agitando-se suavemente para suster a flutuação. É tão bonito. É como estar dentro de um aquário enorme a observar o suave movimento dos peixes, esse que por vezes é tão parecido com o voo das aves.

hamlet em pessoa
rosas
innersmile
O espectáculo de ontem das Quintas do Conservatório foi também uma maneira de assinalar o dia mundial do teatro: Hamlet em Pessoa, uma visita a poetas e poemas portugueses influenciados pela peça da W. Shakespeare, ou apenas que glosam o tema da morte e do fascínio pela noite eterna. Abrindo com um breve poema de Borges, e sem contar com as referências ao texto de Hamlet, houve poemas de, entre outros, Pessoa e seus heterónimos, Mário de Cesariny, Jorge de Sena, Pascoaes, Antero, António Nobre, Alberto Pimenta ou Alexandre O’Neill.

O André Gago é um extraordinário actor e isso notou-se nesta apresentação de poemas, além de ser simpático e charmoso. Gostei muito de o ouvir dizer os poemas, alternando entre um registo mais neutro, de diseur, e outro de actor, mais dramático.

Mas tenho de confessar que o que mais gostei na noite de ontem foi do Carlos Barreto, que é um contrabaixista fabuloso e um improvisador genial. Ainda que à partida o seu papel no espectáculo fosse um pouco acessório, servindo de contraponto ou mesmo de acompanhamento, ao actor e às palavras dos poetas, houve três ou quatro momentos em que o contrabaixista roubou nitidamente o palco: não só aqueles em que tocou sozinho, mas mesmo naqueles em que, de repente, a sua voz tornava.-se mais interessante e fascinante do que a dos poetas.