March 27th, 2014

rosas

morangos mofados

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Vai fazer no próximo mês dez anos que o Saint-Clair me deu a conhecer a obra de Caio Fernando Abreu. Faltava-me ler Morangos Mofados, talvez a obra mais conhecida de Caio F e uma das preferidas do Saint. Li finalmente o livro e trata-se de uma obra verdadeiramente extraordinária, um conjunto de dezoito contos, divididos em duas partes (O Mofo e Os Morangos), por um critério não exactamente literário, mas sobretudo afectivo: os contos mais desesperados para um lado, os mais esperançados para outro. Mas todos eles muito bons. Alguns dos contos eu já conhecia, ou de colectâneas do autor, ou porque o Saint mos tinha dado a conhecer (por exemplo, o Sargento Garcia, que eu devo ter em ficheiro algures no meu computador).

Para além do prazer da leitura, pude ainda constatar, tantos anos depois de ter lido mais intensamente outras obras de Caio F, o quanto, e o porquê, de a minha escrita ser tão inspirada na de Caio. Há um nervo nos contos de Caio que me toca muito e, se eu analisar bem, é aquilo que eu procuro quando escrevo. Pude também constatar o quanto o próprio Saint era influenciado por este livro, sei lá, na maneira de organizar a colectânea, no modo de conceber os contos e de os apresentar.

O que eu quero dizer com isto é que a leitura de Morangos Mofados tornou muito evidente para mim a forte influência que conhecer a obra de Caio teve naquilo que eu escrevo (ou escrevia), na maneira de olhar a literatura, ou mesmo até na minha vida, no modo como eu lido com as emoçoes e os sentimentos. Lastimo não o ter lido há mais tempo, mas como todas as grandes revelações, a sua chegada não é tardia.