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um domingo para esquecer
rosas
innersmile
No domingo fui almoçar a casa dos meus pais. Logo à chegada, ao sair do carro, o friso da porta ficou preso na rede que protege um pequeno canteiro ajardinado, e quando a fechei, metade do friso saltou do lugar. Fiquei descorçoado, claro, até porque não o consegui prender no encaixe próprio. Depois do almoço, saí da casa deles com a minha prima que tinha lá passado, e ficámos um pouco à conversa ao pé do meu carro. Abri a porta, pousei no banco o casaco e o saco com o livro, a carteira e o ipod, e,como trazia o porta-chaves e o telemóvel na mão, pousei-os no tejadilho do automóvel. Passados uns minutos, despedimo-nos, eu arranquei e só quando cheguei a casa dei por falta das chaves e do telemóvel e lembrei-me de que tinham ficado no tejadilho. Voltei para casa dos meus pais, tinham-se passado uns cinco ou dez minutos, andei à procura, perguntei nos cafés da zona, mas nada.

Liguei a bloquear o cartão do telemóvel (ontem soube na loja da operadora que foram feitas cinco chamadas para as redes nacionais e enviada uma sms internacional, cujo valor não deve ser elevado) e passei o resto da tarde de domingo a tratar de mudar as fechaduras, da minha casa e da casa dos meus pais, a fazer duplicados das chaves comuns. Ontem ativei uma segunda via do cartão e comprei um telemóvel novo. Mas perdi todos os contactos que lá tinha, as fotos da minha sobrinha-neta mais antigas (antes de ter comprado o ipod), algumas mensagens que queria preservar e uns memos não propriamente importantes, mas o bastante para os ter feito. E gastei uma pipa de massa com as chaves e com o telemóvel (que não foi xpto, até foi baratinho); como tinha comprado umas sapatilhas no sábado, o saldo do fim de semana foi desastroso.

Nunca me tinha acontecido uma coisa destas, até porque não tenho o hábito de pousar coisas no tejadilho do carro, e até foi por isso, pela falta de hábito, que nunca mais me lembrei de uma coisa que estava mesmo diante dos meus olhos. Claro que não vale a pena arranjar desculpas, mas o cansaço e o facto de andar sempre com a cabeça a pensar nos problemas da vida e nas suas soluções, ajudam. E a velhice, suponho; afinal, a memória e a atenção já não são o que eram. Já me passou a telha, claro, mas ainda estou um pouco abananado, não com a sensação de perda, mas com a impressão de que na tarde de domingo, por um intervalo de poucas horas, o mundo girou mais depressa do que eu, e deixou-me um pouco apardalado. Espero que com o tempo a coisa vá ao sítio.

Como perdi todos os contactos do telemóvel, pedi no facebook e no google plus aos familiares e amigos que me enviassem os seus contactos. Já recebi bastantes respostas, mas mesmo assim há contactos que não consegui recuperar e tenho pena. Mas há assim uma espécie de “começar de novo, e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido”. Versão Simone, claro, para dar um toque de drama queen.