March 6th, 2014

rosas

city of night

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Faltam-me poucas páginas para terminar a leitura de City of Night, de John Rechy, obra considerada um clássico da literatura de temática gay, e que eu procurava ler há séculos. De certo modo, com leitura deste livro de Rechy e de Dancer From The Dance, de Andrew Holleran, que li há poucas semanas (em ambos os casos, foi o João Máximo que gentilmente me emprestou os livros), fica encerrado um ciclo de obras fundadoras daquilo que pode ser considerado o cânone da literatura homossexual contemporânea de extracção anglo-americana.

Esta obra de Rechy foi publicada nos inícios dos anos sessenta e tornou-se rapidamente uma obra de referência, quer pelo tema, a vida dos jovens prostitutos nas grandes urbes norte-americanas, quer pelo estilo, muito stream of conscience, com forte atracção pela deambulação e pelo lado marginal da vida, que de alguma forma o aproxima da beat generation, e do On The Road, de Jack Kerouak, em particular.

Organizado como um registo quase diaristico das deambulações do narrador, os capítulos vão alternando entre perspectivas mais centradas nessas deambulações (todos eles intitulados ‘city of night’) e pequenas narrativas dedicadas a algumas das personagens com quem o narrador se vai cruzando, uns mais bizarros do que outros. Dividido em quatro partes, cada uma delas é dedicada a uma das grandes cidades por onde o narrador passou: Nova Iorque, Los Angeles, São Francisco e Nova Orleãs; mas há outras cidades, como Chicago, que são também cenário do livro.

Tal como acontecia com a obra de Kerouak, também City of Night é uma narrativa muito marcada pela música, que está sempre presente, ora nas jukeboxes dos bares de engate frequentados pelo narrador, ora mesmo como epígrafes dos vários capítulos do livro. Esta presença da música, sobretudo da música rock que então emergia, contribui para uma certa energia jovem que marca o livro, e que salvaguarda sempre o narrador da decadência e da degradação dos meios por onde por vezes se move.