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dancer from the dance
rosas
innersmile
Dancer-from-the-Dance

Um clássico da literatura LGBT que finalmente tive a oportunidade de ler. Num tom simultaneamente lírico e cru, Holleran traz-nos um retrato dos anos 70, do hedonismo do sexo, das drogas e das discotecas, mas também, de alguma maneira, de uma construção identitária. Mas Dancer From The Dance é, como todos os grandes romances, sobretudo uma história de amor, ou melhor da procura do amor. Havia uma canção country, de um filme velhinho com John Travolta, cujo refrão dizia que “I was looking for love in all the wrong places, looking for love in too many faces” e de certo modo é essa a história deste livro fundador.

Holleran fez parte de uma geração de escritores (o Edmund White ou o Felice Picano foram outros dois) que trouxeram para o romance as questões da homossexualidade como parte da experiência humana que a literatura reflete e recria. E Dancer From The Dance, apesar da sua narrativa difusa e fragmentária, é uma obra incontornável do canône da literatura de género, não apenas pelo tema, pela atenção que dedica a um estilo de vida que foi crucial para a eclosão dos direitos de cidadania e do seu reconhecimento aos homosseuais, nos EUA, mas inclusivamente por esta ser, também, uma história americana, em que a própria nação é convocada, mais não seja para servir de contraponto à história de Malone, Sutherland e dos outros “dezassete” gays que passaram (todas) as madrugadas a dançar até à exaustão, e que de manhã iam curar o cansaço nas famosas saunas, os banhos nova-iorquinos.