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pete seeger
rosas
innersmile
Apesar de ter nascido num dos primeiros anos da década, só cheguei aos anos 60 da contestação política e da folk muitos anos depois. E teria chegado apenas depois da revolução de abril de 74, se não fosse ter entrado em casa dos meus pais, quando eu era muito miúdo, um LP da Joan Baez, onde ouvi, provavelmente pela primeira vez, os espirituais tornados canção de protesto We Shall Overcome e Kumbaya. Toda a minha aprendizagem da folk norte-americana de cariz político começou nesse disco, e dele passou, inevitavelmente, para Dylan e para Pete Seeger (confesso embaraçadamente que nunca me dediquei seriamente à música de Woody Guthrie).

Foi um amor intenso o que tive com Pete Seeger, e como todos os amores felizes, ficou comigo para a vida. Seeger fez música durante para aí uns setenta anos (desde os anos 40 até à actualidade) e o seu legado é imenso, quase da ordem do infinito. É impossível elencar todas as canções de que foi autor ou co-autor, ou que trouxe de outros contextos culturais e foi o principal responsável pela sua divulgação, tal como é impossível listar todos os artistas que interpretaram as suas canções, que as popularizaram ou mesmo que construiram carreiras baseadas em êxitos que Seeger escreveu. E se o seu legado é imenso, a sua importância e influência é reconhecida e respeitada por todos os quadrantes da música popular norte-americana. Ainda recentemente, há meia dúzia de anos, Bruce Springsteen gravou um álbum maravilhoso todo dedicado ao património e à importância de Seeger (o único disco de Springsteen com música de que não é autor!)

Não consigo, é óbvio, dizer qual a minha canção preferida do Pete Seeger. Uma das canções que ele ajudou a divulgar com os Weavers, gravada no início dos anos 50, é uma das minhas canções fetiche, daquelas de que colecciono versões sucessivas: Wimoweh, também conhecida por Mbube, o seu nome original, ou, na versão mais pop, por The Lion Sleeps Tonight. Teve versões de toda a gente, pelo menos de toda a gente que cabe entre a Miriam Makeba e o Brian Eno. Há um canal do YouTube que colecciona versões desta canção, e que já passam das duas centenas.

Acabei por escolher para pôr aqui, em sua homenagem, uma das canções mais conhecidas de Pete Seeger, Where Have All The Flowers Gone, uma das primeiras que conheci do cantor, e seguramente uma das mais belas, daquelas que têm o condão de nos comover, e de nos ‘mover’, como se diz em ingês, aos primeiros acordes. E porque me parece que faz todo o sentido, das muitas versões disponíveis na net, escolhi uma em que Seeger já está velho.

RIP, velho Pete Seeger. A tua música sempre nos deu o que há de mais essencial, mais puro, e mais bonito na América. E sempre nos continuará a dar.




Where have all the flowers gone, long time passing?
Where have all the flowers gone, long time ago?
Where have all the flowers gone?
Gone to young girls, every one!
When will they ever learn, when will they ever learn?

Where have all the young girls gone, long time passing?
Where have all the young girls gone, long time ago?
Where have all the young girls gone?
Gone to young men, every one!
When will they ever learn, when will they ever learn?

Where have all the young men gone, long time passing?
Where have all the young men gone, long time ago?
Where have all the young men gone?
Gone to soldiers, every one!
When will they ever learn, when will they ever learn?

And where have all the soldiers gone, long time passing?
Where have all the soldiers gone, a long time ago?
Where have all the soldiers gone?
Gone to graveyards, every one!
When will they ever learn, when will they ever learn?

And where have all the graveyards gone, long time passing?
Where have all the graveyards gone, long time ago?
Where have all the graveyards gone?
Gone to flowers, every one!
When will they ever learn, oh when will they ever learn?