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encontro com dori e pancho guedes
rosas
innersmile
9789723613346

Há muito tempo que sou interessado e admirador da obra do arquitecto português Pancho Guedes. Porque gosto de arquitectura, claro, mas neste caso concreto por causa das ligações africanas do arquitecto, sobretudo a Moçambique e à África do Sul. Lembro-me de que, em 2009, o CCB fez uma exposição imensa e magnífica sobre a sua obra, que ultrapassava muito o domínio da arquitectura e era mais uma espécie de universo Pancho!

Encontro com Dori e Pancho Guedes consta, como o título deixa adivinhar, de uma longa entrevista com o arquitecto e a sua mulher, conduzida por João Manuel Neves, que também assina uma introdução. Para além do interesse pela obra de Pancho, o que me levou a comprar o livro foi, confesso, ter percebido, folheando-o ainda na livraria, que tinha várias referências, quer na entrevista quer na introdução, a figuras da vida cultural moçambicana, como o pintor Malangatana ou o escritor Luis Bernardo Honwana. Interessava-me muito conhecer melhor as ligações entre Pancho Guedes e estes artistas, sobretudo no caso de Honwana, de quem sei poucos pormenores biográficos, e que é autor de um único livro, que eu positivamente adoro, Nós Matámos o Cão Tinhoso, que o autor escreveu quando ainda era muito jovem, no início dos anos sessenta.

Ainda abordadas na entrevista, e sobretudo na introdução de João Manuel Neves, são as ligações com duas outras figuras que fazem parte do meu universo de refências, o poeta Rui Knopfli e o crítico e também escritor Eugénio Lisboa (de quem li, muito recentemente, um volume de memórias). Admirando muito quer Lisboa, quer sobretudo Knopfli, um dos meus poetas favoritos, foi muito interessante conhecer uma perspectiva muito crítica em relação ao seu papel na vida cultural moçambicana, e literária em particular, desempenhado por ambos, em particular por alimentarem uma muito restrita capela literária.