January 22nd, 2014

rosas

the wolf of wall street

Eu gosto muito do Martin Scorsese, mesmo dos seus filmes mais recentes, que têm sido mais convencionais do ponto de vista narrativo. Neste The Wolf of Wall Street o realizador regressa à sumptuosidade de Casino, com um trabalho de câmara feérico e uma montagem tipo montanha russa, como há muito tempo não víamos. O ponto é que nada desse carrossel prejudica a economia do filme, e Scorsese nem por um momento perde o controlo da história, antes pelo contrário: a forma, a linguagem, parece adequada ao carácter transgressor do tema, e à sua “lição de moral”. Até neste aspecto, de se tratar de uma história de redenção, este filme parece um recuo a outros tempos da carreira do realizador. A história é antipática, é claro, mas nunca li no filme uma glorificação do estilo de vida excessivo e fraudulento do capitalismo arrivista dos tempos actuais.

Além disso, Scorsese arranca mais uma interpretação brilhante ao Leonardo DiCaprio, para aí na sua quinta ou sexta colaboração. Decididamente DiCaprio é o novo DeNiro, para Scorsese, e também gosto desta ideia de um realizador se inspirar no trabalho de um actor para criar os seus filmes.