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eusébio da silva ferreira
rosas
innersmile
Antes de ser o orgulho de todos os portugueses (e dos benfiquistas em particular), Eusébio da Silva Ferreira era o orgulho dos moçambicanos: menino da Mafalala, o bairro que começava no outro lado da Craveiro Lopes; do lado de cá ficava a casa dos meus avós, a casa da minha primeira infância. O bairro de Craveirinha, poeta maior da língua, e que a minha mãe recorda a abrir caminho por entre a multidão que esperava o jogador no aeroporto de Lourenço Marques, para levar a mãe junto do seu filho: “Mamana ka Eusebio!”.

E mais do que ser o melhor jogador de futebol português (‘português’ é adjectivo do futebol, não do jogador), Eusébio era o mais popular, independentemente da filiação clubistica. Desconfio que não só pelo seu modo de pantera negra, ou pelos remates em que o corpo do homem subia no ar, leve como em levitação, e o pé disparava com a força de um canhão; mas muito pelas lágrimas de menino grande que chorou quando a selecção nacional perdeu as meias-finais no campeonato do mundo de Inglaterra.

Nos tempos em que Moçambique era uma provincía de Portugal, a imensidão do absurdo era vingada pelos pequenos orgulhos, nomeamente dos craques do desporto, fossem eles do hóquei, do basquetebol ou do futebol. Hoje em dia, o Eusébio, se era uma figura do mundo (como provam as reacções dos jornais internacionais à notícia da sua morte, e nem sequer falo dos jornais desportivos) e dos portugueses, era igualmente um herói de Moçambique, como ainda foi celebrado muito recentemente, aquando da copa mundial na África do Sul. Um herói da Mafalala, onde aprendeu a jogar com bolas feitas de meias velhas e papel de jornal. E o Eusébio dava-se, com simpatia e humildade, a esse papel de ser o ídolo que todos gostávamos de amar.

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Na fotografia que escolhi da net para aqui pôr, precisamente da meia-final perdida contra a Inglaterra, vê-se a confortar Eusébio o fotógrafo de Coimbra Fernando Marques, o célebre O Formidável, figura inesquecível da baixa de Coimbra, onde me recordo de o ver muitas vezes.