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tal pai, tal filho (4*)
rosas
innersmile
Gosto muito de ir ao cinema no primeiro dia do ano, e então quando se tem a oportunidade de ver um bom filme, melhor ainda.

Tal Pai, Tal Filho é um filme japonês, realizado por Hirokazu Koreeda, que tem como tema, tal como o título indica, a relação entre pais e filhos; um jovem arquitecto que sacrifica a sua vida familiar à profissional, descobre um dia que o seu filho de 6 anos foi trocado na maternidade, e pretende a todo o custo retomar a ligação com o seu filho biológico. O filme aborda vários temas: a preponderância dos laços de sangue ou dos laços afectivos, a subalternização do papel da mulher nas decisões familiares, o sucesso profissional e o sacrifício da vida familiar, a relação entre a capacidade económica e o investimento afectivo.

Tudo temas muito interessantes, mas é sobretudo a maneira como são abordados que faz a diferença: ao invés de fazer teses sobre as matérias, o filme olha sobretudo as personagens, os seus rituais quotidianos, as pequenas banalidades que cimentam a relação entre as pessoas, os gestos e os olhares. E é nessas pequenas coreografias da vida doméstica e familiar que o filme vai cimentando o seu olhar e as suas perspectivas.

Outro aspecto muito marcante no filme é o facto de ser muito focalizado nas personagens infantis, em especial no olhar das crianças sobre as realidades familiares em que vivem. De certa maneira é essa a característica determinante do filme, é sempre nas personagens infantis que o filme procura as suas respostas, e como que passamos o filme à espera que sejam as crianças do filme a revelarem a resolução do conflito.

Muito bem realizado, com uma fotografia lindíssima e uma narrativa muito visual, óptimas interpretações e uma banda sonora muito instigante, foi uma maneira de abrir o ano de filmes com chave de ouro.
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