December 18th, 2013

rosas

cildo meireles, ahlam shibli

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Fui hoje ao Porto, para ir a Serralves ver a magnífica exposição do brasileiro Cildo Meireles. O Museu de Serralves tem tradição de fazer bem grandes exposições, e esta não foi excepção. Cildo Meireles é um artista plástico que trabalha sobretudo em escalas, muito grandes ou muito pequenas, e esta exposição, que reune obras recentes e outras mais antigas é disso exemplo.

Claro que as peças grandes são as mais espectaculares, com a mais valia de que algumas delas convocam o espectador a interferir com as obras, e só dessa maneira elas se completam. A peça Entrevendo, por exemplo, coloca o espectador no interior de um túnel de madeira, com uma corrente de ar quente, devendo segurar dois pedaços de gelo que deve provar (um é doce e o outro é salgado). É impossível falar aqui de todas as instalações, mas há duas que tenho de mencionar.

Uma delas é Marulho, uma sala azul, com um pequeno cais de madeira, iluminado, que entra por um mar de livros abertos que contêm reproduções da água do mar, acompanhado pelo som da água. A outra, intitulada Nós, Formigas, fica no exterior do museu e consta de um buraco aberto no solo, por cima do qual, pendurado de uma grua, está um bloco de cimento que tem na sua base uma colónia de térmitas, que ficam assim por cima da cabeça do observador.

Adorei a exposição, especialmente porque as obras de Cildo Mendes são muito sedutoras e sensoriais, ao mesmo tempo que são carregadas de conteúdo, nomeadamente ideológico: o autor iniciou o seu percurso artistico durante a ditadura militar brasileira e é inegável o cunho político de muitas das suas obras.

Além da exposição de Cildo Meireles, aproveitei para ver mais uma, da fotógrafa palestiniana Ahlam Shibli, construída à volta de séries temáticas de fotografias que refletem a situação política da Palestina. Gostei mais de umas séries do que de outras e destaco duas: Trackers, sobre palestinianos de ascendência beduína que serviram como voluntários no exército de Israel, e Easter LGBT, sobre pessoas que tiveram de abandonar os seus países de origem, no médio oriente, para poderem viver de acordo com a sua identidade de género.

Vi ainda os finalistas do prémio Bes Revelação 2013, com trabalhos de Diogo Evangelista, Nádia Rodrigues Ribeiro e André Romão.

A ideia era, depois da catedral da cultura, ir a uma catedral de consumo, mas o tempo estava tão mau e o trânsito tão complicado, que acabei por almoçar no próprio restaurante do Museu de Serralves.