December 13th, 2013

rosas

nadir afonso

Sou um ignorante em matéria de artes plásticas. Amar é conhecer, e, por razões que eu próprio não entendo, raramente me senti fascinado pela pintura ou pela escultura ao ponto de querer mergulhar mais intensa e profundamente numa determinada matéria. Ao contrário do que me acontece em relação à literatura, à música ou ao cinema, onde sou voraz de maneira generalizada e contínua; mas também em relação a disciplinas mais próximas das artes plásticas, como a fotografia ou a arquitectura, por onde vou alternando períodos de bulimia com outros de fastio (a analogia é um bocado infeliz, eu sei, mas foi o que saíu!)

Claro que há excepções, há artistas de que gosto muito e cuja obra conheço decentemente, e Nadir Afonso é um deles. Um interesse e um fascínio que vêm de longe, da adolescência, onde o nome do pintor me seduziu tanto quanto a sua pintura feita de geometrias e cromatismos rigorosos, e de uma atenção obsessiva e fulgurante à perspectiva. Aliás, Nadir era arquitecto, e a sua pintura é muito marcada pela arquitectura, o que explica, em parte pelo menos, o meu fascínio.

Uma das últimas grandes exposições que vi foi no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, em Lisboa, intitulada Sem Limites, uma retrospectiva da obra de Nadir Afonso até aos anos 70, quando o seu programa artístico fica mais ou menos fixado. Curiosamente, a minha visita à exposição foi completada, no próprio dia, com a oportunidade de admirar os seus paineis de azulejos na estação de metropolitano dos Restauradores.