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próspero
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"Certa vez interpelei um deles acerca de um exemplar d’A Ilha de Próspero, do poeta Rui Knopfli. Há muito que procurava aquela edição profusamente ilustrada com fotografias de um melancólico preto e branco que faziam dela muito mais do que um mero livro de versos, uma edição inundada de mar Índico e da severidade das pedras, cheia de fumos adocicados do cemitério hindu e com um sabor a despedidas e presságios, cuja carga trágica não conseguiria hoje despertar mais do que um sorriso. O que o tempo faz!"

É assim que no livro que estou a ler, Rainhas da Noite, o mais recente de João Paulo Borges Coelho, a acção se desencadeia, porque o narrador compra, numa banca de rua, o livro de Rui Knopfli A Ilha de Próspero, que é uma das obra mais absolutamente assombrosas e essenciais que foram escritos em língua portuguesa.

É sempre emocionante o reencontro com um dos meus poetas preferidos, e talvez aquele a quem eu tento sempre ‘imitar’ quando escrevo, para não usar a presunção da influência. Mas é ainda mais emocionante quando o vemos ser desta maneira aceite e ‘incorporado’ na novíssima literatura moçambicana, ultrapassando o preconceito de não considerar moçambicanos os autores, sobretudo poetas, que escreveram a partir, e sobre, o Moçambique da presença portuguesa.

Entretanto comprei o terceiro volume (e o segundo a ser escrito) de memórias de Eugénio Lisboa e nas páginas de entretexto encontro uma fotografia de Rui Knopfli, muito jovem, num grupo que inclui o próprio Lisboa e o arquitecto Pancho Guedes. Estas sincronias (junguianas, como lhes chamaria o Saint) são sempre especiais, mas quando acontecem em relação a um escritor que amamos e à terra que também é nossa, então parecem mesmo ser da ordem dos milagres.