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five dances
rosas
innersmile
Quem primeiro me falou do filme foi o João ‘Pinguim’ quando, em setembro último, o viu no festival de cinema Queer. Recentemente descobri que o videoclip do Scott Matthew para a versão de I Wanna dance With Somebody, tinha sido realizado pelo Alan Brown, com a mesma equipa do filme. Aliás, descobri também que havia canções do SM na banda sonora do filme. E o João tornou a insistir que eu tinha mesmo de ver o filme. Consegui encontrá-lo e aproveitei o fim de semana caseiro para finalmente o visionar.

Five Dances é de facto um belíssimo filme. Centrado nos ensaios de um pequeno grupo composto por um coreógrafo e quatro bailarinos (dois rapazes e duas raparigas), o filme decorre maioritariamente no espaço físico da sala de ensaios, com pequenas vinhetas do exterior, nas quais acompanha, sempre de forma muito elíptica, a vida dos bailarinos.

Do ponto de vista narrativo, o filme é escasso quer na informação que passa, quer na composição das personagens, quer na construção do enredo. De certo modo é como se as vidas dos protagonistas fossem frágeis extensões das suas personas enquanto bailarinos. E ainda bem que assim é, porque é quando se foca na sala de ensaios, e sobretudo nas repetições dos exercícios coreográficos e na performance das coreografias, que Five Dances se torna verdadeiramente excepcional. E comovente.

Alan Brown filma o movimento como se fosse poesia, de um modo simultaneamente narrativo e abstracto, emocional e subtil, erótico e puro. Vai à procura da verdade que se escreve nos corpos e nos gestos e nos movimentos dos protagonistas, para aí tentar captar a sua essência. Estruturalmente o filme constrói-se em torno de cinco peças coreográficas; do ponto de vista narrativo, organiza-se em torno da Chip, um dos quatro bailarinos, muito jovem e recém chegado à cidade, e do seu processo de coming of age e de aceitação da sua sexualidade. A dança, para o jovem Chip, é não apenas o lugar da sua liberdade, mas também aquele que lhe possibilita o percurso de auto-conhecimento.
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