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o muro
rosas
innersmile
unnamed

Metade da minha vida, a primeira, foi, do ponto de vista da consciência política, vivida sob o signo do muro de Berlim, a separar os dois blocos em que o mundo se dividia. Parte da minha experiência pessoal, em particular a que se prendeu com o fim do império colonial português e com a independência do país onde nasci, inscreveu-se nesse desenho de um mundo dividido em dois. A queda do muro, em novembro de 1989, foi eufórica, porque finalmente parecia desaparecer o absurdo de um mundo dividido e o pesadelo da ameaça nuclear, mas também me deixou desorientado, sem perceber muito as regras da nova ordem mundial, essa que, pouco mais de uma década depois, faria desabar dois arranha-céus em Nova Iorque.

Nunca fui a Berlim antes de novembro de 1989, apesar de ser um dos lugares que mais atiçavam a minha imaginação. Nunca lá fui depois, porque sempre me desmotivou a sensação de chegar irremediavelmente tarde.

Este pedaço do muro foi-me oferecido, por uma das minhas maiores amigas, em Londres, de uma das últimas vezes que lá fui. É um dos meus objectos mais extraordinários, para o qual olho quase como se fosse um pedaço de rocha lunar.