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estrela da tarde
rosas
innersmile
Passei o fim de semana meio adoentado. Praticamente não saí de casa (só no domingo de manhã, para nadar), enfiado no sofá, com o Kafka Tamura, o Sr. Nakata e a botija eléctrica. No sábado, a banda sonora foi o Rodrigo Leão, no domingo o Glenn Gould a tocar as sonatas de Beethoven. E muito chá; de erva de São Roberto, verde com jasmim, verde com limão, e preto: do Sri Lanka, Earl Grey e Darjeeling.

Deitado no sofá, com a cabeça apoiada no encosto para o braço, estou de frente para a janela. De vez em quando pouso o livro no peito e passo pelas brasas. À tarde tenho de correr uma das venezianas porque o sol baixa, e põe-se, em frente à minha janela. Mas deixo aberta a que fica mesmo à minha frente.

Pouco depois do sol desaparecer, por volta das quatro e meia, o céu começa a escurecer. É então que, em frente à minha janela, aos meus olhos, Vénus aparece fulgurante, uma lanterna viva e brilhante a indicar o sul, o astro mais luminoso da abóbada celeste do hemisfério norte. Pelo menos, tal como ela é vista da minha janela.

Vai descendo lentamente, até também ela (ele, planeta? ela, a deusa?) desaparecer na linha do horizonte. Mas enquanto está presente, é um farol poderoso do qual não consigo manter o olhar afastado por muito tempo. Minha estrela da tarde.

"Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza."


- José Carlos Ary dos Santos, para a música de Fernando Tordo e a voz de Carlos do Carmo (excerto)