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any day now 4*
rosas
innersmile
Any Day Now (em pt, Talvez Um Dia) foi uma verdadeira surpresa. Cheguei ao filme sem qualquer informação e só fui atrás dele por o Alan Cumming ser um dos protagonistas, e ser um daqueles actores em relação a quem eu ando sempre atento.

O filme, realizado por Travis Fine, conta a história de um muito improvável casal de homossexuais, um artista de travesti e um jovem advogado da procuradoria pública norte-americana, que juntam esforços para tentar adoptar um adolescente de 15 anos, com síndrome de Down, e cuja mãe foi presa por consumo de drogas.

A história passa-se em 1979, e no seu cerne está a discussão sobre a capacidade, e os riscos, de dois homossexuais criarem uma criança, ainda por cima com uma condição tão especial. Claro que ao filme não é alheio o actual debate sobre a adopção por parte de casais do mesmo sexo, e o filme pretende, em forma de melodrama, contribuir para esse debate, situando a história, que todavia se baseia em factos verídicos, numa época prévia aos progressos verificados nas últimas duas décadas no processo de reconhecimento dos direitos de cidadania dos homossexuais, particularmente no que se refere à legitimação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Um filme sério e comovente, que nunca perde o foco na história que quer contar e nos seus protagonistas, sendo através deles que nos convoca para o debate político e social. Não vi referências nenhumas à sua estreia entre nós, e por isso receio que passe mais ou menos despercebido pelas salas de cinema, o que seria uma enorme pena, sobretudo por parte de quem se interessa por estas questões.
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