November 17th, 2013

rosas

scott matthew, valter lobo

Não foi só ter gostado muito do concerto do Scott Matthew, sexta-feira à noite, no auditório do Conservatório de Coimbra. Saí de lá a amar o homem, como tenho a certeza que ele também saíu de lá a amar-nos a todos. Foi daqueles concertos especiais, em que às tantas o tipo se apercebe de que está a ser uma noite especial, e a partir daí é o delírio completo. A sério, Scott, sabes que tens aqui uma casa à tua disposição, nunca te faltará um sofá para te estenderes, leite fresco no frigorífico e uma t-shirt lavadinha e passada a ferro.

Só conhecia o SM das suas participações nos discos do Rodrigo Leão, e de meia dúzia de temas que ouvi à pressa no YouTube, versões de canções pop, umas mais conhecidas que outras, mas todas elas a deslizar para o improvável, que compõem o seu mais recente álbum, Unlearned. Cada canção, em palco, é tratada como se fosse a única, como se cada uma das canções fosse um filme, ou um livro, uma coisa com princípio e fim. De tal modo, que entre cada uma delas, o SM parecia regressar à realidade, dizia umas graças, bebia um copo de tinto, e depois despedia-se, até daqui a três ou quatro minutos, e nós ficávamos sem ele, mas em substituição, mais outro momento de sublime suspensão da realidade.

Para essa espécie de uno total que era cada uma das canções do concerto, contribuíam os arranjos de cada uma, muito simples e coerentes, que criavam um ambiente próprio e único, e claro a voz do SM, que é uma coisa a que ninguém pode ficar insensível. Num concerto que teve tantas canções originais como versões, é notável como, para além do efeito de reconhecimento das versões, elas são tão apropriadas pelo SM que parece que as ouvimos pela primeira vez. E, só para dar uma ideia pálida da coisa, houve versões de coisas tão díspares como The Sex Pistols, Charles Chaplin ou John Denver!

O público também merece destaque, foi muito bom: participou, emocionou-se, achou graça, cantou os parabéns ao Eugene. Eu acho que foi comum a todos nós que ali estivemos a vontade de dar colinho ao Scott Matthew, por ele ser uma das melhores pessoas com quem nos cruzámos nos últimos tempos.

Na primeira parte do concerto, que foi uma de três extensões a Coimbra do festival Misty Fest, actuou o português Valter Lobo, que conseguiu apresentar as suas canções e cativar a audiência.



Muitas vezes ao longo do concerto me lembrei de ti. Apetecia-me que estivesses ali ao pé de mim, a partilhar a descoberta e o maravilhamento, as nossas mãos a tocarem-se subtil e discretamente. Uma das versões improváveis que o Scott Matthew fez, foi do êxito pop dos anos 80, I Wanna Dance With Somebody, da Whitney Houston, que ainda por cima tem um video-clip fabuloso:

"Don'tcha wanna dance with me baby?
Don'tcha wanna dance with me boy?"