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a confissão de lúcio
rosas
innersmile
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Colmatei uma lacuna antiga, e li A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro; tão antiga, que vem desde o tempo, da minha juventude, em que consumi avidamente os poemas do autor, que foi um dos meus poetas preferidos, e dos que mais me influenciaram por volta dos 18-20 anos. O poema Quasi era uma espécie de mantra (e ainda hoje é um dos meus poemas favoritos), e escrevi incontáveis variações à volta de Eu não sou eu nem sou o outro…

O ponto é que ultrapassei a fase Sá-Carneiro, sem nunca chegar a prender-me à sua prosa. Tanto que já tinha o e-book do livro há uns tempos e só agora, num compasso de espera entre leituras de maior fôlego, me decidi a lê-lo. Foi bom este regresso àquele modernismo exacerbado e um pouco excessivo, ao feerismo emocional de Sá-Carneiro, e admirei o olhar lúcido e ousado sobre a sexualidade e as suas declinações.

Mas o livro não me prendeu, não me absorveu. Li-o sempre mais como um divertimento do que com compromisso e seriedade. Eu sei que o defeito é meu, e a estupidez também. Mas se calhar é o destino dos nossos poetas de juventude: crescemos para fora deles como para fora dela; e o modo paternalista, e até um pouco embaraçado, com que olhamos os nossos dias de juventude acabam por contaminar os escritores que os marcaram.

Só uma nota para registar que foi o primeiro livro que li integralmente no ipod, numa app do kindle. Não foi complicado, mas acho que é uma leitura apenas possível em relação a livros pequenos, ou a trechos muito curtos de livros de maior espessura.