November 6th, 2013

rosas

recebi uma carta

Ontem recebi uma carta. Mais propriamente, um mail que trazia lá dentro uma carta. A Lídia escreveu-me. Não foi a primeira vez. Já trocámos comentários aqui no innersmile, e também alguns mails. Mas a carta de ontem foi especial.

Na sua carta, a Lídia conta-me que começou a ler o innersmile em agosto passado. Leu o texto que eu aqui pus sobre os meus avós maternos, em Lourenço Marques, sobre a minha mãe e as minhas tias. Gostou e continuou a ler. Ainda nesse mês de agosto, a Lídia comentou pela primeira vez uma entrada, um conto sobre a hora do chá. Desde então, diz a Lídia na sua carta, tem lido diariamente o innersmile. A propósito do chá, e para nos conhecermos melhor, trocámos, por iniciativa da Lídia, fotos de nós próprios, e escolhemos fotos em que ambos estamos a beber chá (um em Marrocos, outro no Sri Lanka, que somos bebedores de chá viajados!)

Mas a Lídia fez mais: começou a ler o innersmile todo, de carreirinha, desde a primeira entrada. Não o posso afirmar ao certo, claro, mas desconfio que a Lídia foi a primeira pessoa a fazê-lo (eu ia acrescentar que lhe gabo a paciência, mas dizer isto seria tão deselegante para a Lídia). E eu sei que sim, porque através de comentários ou de mails foi sinalizando alguns textos, ao correr da sua leitura. Referiu-me, por exemplo, os meus textos sobre o regresso a Moçambique, em 2003, e eu mandei-lhe o pdf do livrinho onde juntei esses contos (tenho um exemplar guardado para lho oferecer, na primeira oportunidade).

Na carta que me escreveu ontem, a Lídia fala ainda de uma coisa extraordinária, que foi um texto que eu pus no innersmile, o ano passado, a propósito da morte do astronauta Neil Armstrong, e que foi a minha mãe que escreveu. E diz coisas bonitas a propósito da minha mãe, e das coisas mais pessoais de que eu vou falando por aqui.

Aliás, a Lídia, na sua carta, diz-me algumas das coisas mais bonitas e tocantes que alguma vez alguém me disse a propósito do innersmile e da minha escrita. Não é para me gabar, mas claro que já muitos amigos me elogiaram a escrita, e até houve um tempo em que eu me aprimorava mais a escrever por saber que algumas pessoas especiais (especiais para mim, naturalmente) iriam ler. Mas os comentários da Lídia na carta não foram só elogiosos; foram atentos, interessados, detalhados, perspicazes (insightful?)

E há outra coisa na carta da Lídia, que me comoveu e assombrou: foi das raras vezes em que eu tive a sensação nítida e aguda de que houve alguém que entendeu o innersmile, que o percebeu verdadeiramente, e que através dele chegou àquilo de mim que aqui se vai expondo quase diariamente. E isto, que é o mais importante, não está escrito na carta da Lídia; mas só alguém que percebeu exactamente o que escrevo e porque escrevo, poderia ter dito as coisas que a Lídia diz na carta.

Já aqui disse, muitas vezes (se calhar ultimamente menos do que já disse), que o melhor que o innersmile sempre me deu, foram os amigos. O innersmile deu-me alguns amigos que são dos melhores que a vida dá (na realidade, o innersmile até me deu alguns amigos que são como pessoas de família para mim). Deu-me alguns amigos dos mais verdadeiros, e também alguns daqueles com quem eu sou mais verdadeiro.
Como a Lídia referiu num mail anterior, citando um cantor popular, ‘coisa mais preciosa no mundo não há’. É que hoje fiz um amigo.