October 30th, 2013

rosas

granta 2

9789896711931

Segundo número da edição portuguesa da revista Granta, desta vez dedicada ao tema Poder; confesso que não gostei tanto como da primeira, em parte, talvez, porque o primeiro número tinha sido uma surpresa muito positiva e estava à espera de igual ou melhor. Mas também porque a minha amiga Margarida gostou muito e isso também contribuiu para elevar as minhas expectativas. Sobretudo em relação aos dois textos acerca dos quais eu tinha maior vontade de ler, o de José Eduardo Agualusa (que achei pobre, mais colado à caricatura do que à parábola) e o do Salman Rushdie (que me deu seca).

Dos quatro textos de autores estrangeiros, e tirando o do Rushdie, gostei de todos os outros: James Fenton, com um relato em que o horror vem do absurdo, sobre a revolução filipina que depôs o Presidente Marcos; Martha Gellhorn, um relato sobre uma passagem no Haiti, que foi o texto que mais me surpreendeu; e o meu texto favorito de toda a revista, do japonês Kazuo Ishiguro, um conto em tom de memória infantil, simples e intenso como todas as coisas bem escritas. Vale a pena referir que o contributo do Salman Rushdie, publicado originalmente em 1998, é um texto de uma conferência, lido pelo dramaturgo Harold Pinter, já que Rushdie na altura estava escondido por ter sido objecto de uma fatwa que o condenava à morte por causa da publicação do livro Os Versículos Satânicos.

Quanto aos autores portugueses, gostei bastante dos textos de Luísa Costa Gomes, o meu preferido, de Gonçalo M. Tavares, de Ana Teresa Pereira, e de Raquel Ribeiro. Como já referi, desiludi-me com o de Agualusa. Quanto aos restantes, de José Gardeazabal, Hélia Correia e Miguel Esteves Cardoso, ou não me entusiasmaram, ou nem sequer os acabei de ler.

Tal como já tinha acontecido no número anterior, com poemas inéditos de Fernando Pessoa, esta edição da Granta traz um artigo muito interessante com correspondência inédita entre Jorge de Sena e Carlos Drummond de Andrade que, só por si, vale a compra da revista.