October 22nd, 2013

rosas

o tango da velha guarda

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No dia 4 de julho do ano passado, escrevi aqui sobre o blog Anotaciones Sobre Una Novela, que o escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte manteve ao mesmo tempo que escrevia o romance El Tango de la Guardia Vieja, e que servia como uma espécie de caixa de ressonância, caderno de apontamentos e até laboratório, à escrita do romance.

Mais de um ano depois, estou finalmente a ler, em estado de encantamento, a edição portuguesa do livro, com o título de O Tango da Velha Guarda. Não se trata do meu romance preferido de Pérez-Reverte, que continua a ser o Cemitério dos Barcos Sem Nome, nem terá o fôlego magistral de Assédio, mas é um romance magnífico, escrito com mão hábil e rigorosa, e com as caracteristicas habituais do autor, desde a pesquisa riquíssima ao desenho perfeito das personagens, passando por uma certa ousadia moral ou ética, em que o que distingue o cavalheiro do canalha não é o que se faz, mas quem e como o faz.

O primeiro capítulo do livro é perfeito, tão cinzelado que parece uma escultura, e tem o condão de nos prender de imediato, e com total submissão, a esta história do século XX, passada em três tempos narrativos distintos (1928, 1937 e 1966), que mistura xadrez (um dos temas preferidos do autor), tango, espionagem e o roubo de jóias, ao mesmo tempo que permite a Pérez-Reverte falar da guerra civil de Espanha e da sombra tenebrosa do fascismo europeu. Isto, é claro, sem ceder um milímetro que seja ao romanesco e à aventura, como de resto acontece na generalidade dos seus livros. E ainda, como brinde, uma das melhores personagens femininas de Pérez-Reverte, ele que já criou uma galeria impressionante de mulheres literárias.

Neste momento o blog vai reunindo textos, recensões e criticas sobre o livro. Mas, agora que já passei a metade do livro, mas o seu final ainda demora, continua a ser um exercício fascinante acompanhar a leitura da obra com a consulta do blog. Mais não seja, para ver o aspecto do relógio Omega Seamaster Deville que Max usava em 1966 (e que Arturo escolheu por ser o modelo que o seu próprio pai usava) ou a vista da sua janela sobre a baía de Sorrento.