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gravity
rosas
innersmile
Há muito tempo que um filme não me deslumbrava tanto visualmente. Gravity fez-me lembrar a sequência inicial de 2001 Odisseia no Espaço, quando as naves dançam em volta do planeta ao som da valsa de Strauss, mas prolongada por todos os 90 minutos do filme (aliás, agora que penso nisso, não sei se não será mesmo uma citação do filme de Kubrick, e estou a lembrar-me da cena da caneta nessa sequência, e de como em Gravity é constante a presença de uma caneta a flutuar quando o plano está no interior das naves).

É um filme deslumbrante, talvez porque o cenário de fundo seja deslumbrante e familiar e espantosamente extraordinário ao mesmo tempo.

Nunca vi a técnica de 3D tão bem utilizada e tão convincente; aliás acho que foi a primeira vez que a minha percepção sensorial se deixou enganar pelo efeito de profundidade, e cheguei, em duas ou três ocasiões, a reagir ao movimento em direcção ao ecrã.

Alonso Cuáron não resiste a pôr um melodrama no filme. Percebe-se a intenção, é necessário dar uma certa estrutura que segure a narrativa, de modo prender os espectadores. Mas não conseguimos deixar de pensar no que seria o filme sem esse constrangimento, se fosse apenas puro deslumbre visual.
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