?

Log in

No account? Create an account

rush
rosas
innersmile
Quando eu era miúdo os meus brinquedos preferidos eram os carrinhos em miniatura da Matchbox; adorava brincar com os carrinhos, sobretudo a fazer corridas, quer sozinho, quer com os outros miúdos. Na escola preferia passar os recreios com a malta dos carrinhos, e fazíamos pistas no chão de terra do recreio da escola, aproveitando as enormes raízes das acácias para criar obstáculos. Um bocado por influência do meu primo, que era um pouco mais velho, atribuía aos carrinhos os nomes dos pilotos de Fórmula 1; o meu preferido era o Jody Scheckter, porque era sul-africano e a África do Sul era o nosso país modelo.

Em 1975 e 1976 deixou de haver Fórmula 1. Por um lado porque estávamos entretidos com outras brincadeiras, nomeadamente a ser continuadores da revolução moçambicana, e por outro porque os jornais não tinham notícias desses desportos típicos dos países capitalistas. Quanto assentei arraiais em Portugal, passei a ser fã das transmissões das corridas de F1 na tv. Lembro-me de estar de férias com um amigo meu e corrermos os cafés todos à procura de um que tivesse a televisão ligada para as corridas. Isto durou até ao dia em que me apercebi que tinha passado a adormecer ao fim das primeiras voltas e só acordava nas últimas. Deixei de ver e hoje nem sei os nomes dos pilotos nem até das escuderias.

Como se percebe pelo que disse atrás, não acompanhei o campeonato do mundo de F1 de 1976, e quando me sintonizei de novo já o Nikki Lauda tinha tido o acidente e o rosto todo queimado. Lauda passou a ser o meu grande ídolo das corridas, até ao momento em que nos retirámos ambos dos circuitos. Mas os nomes dos pilotos dessa altura são-me todos familiares: o Lauda, o Scheckter, o James Hunt, o Clay Regazzoni, o Mario Andretti, o Carlos Reutemann, e por aí fora.

Tudo isto para dizer que não poderia, obviamente, perder o filme Rush, que o Ron Howard realizou, e que retrata precisamente esse campeonato de 1976, em particular sobre os dois pilotos que o disputaram de forma verdadeiramente infernal: Nikki Lauda e James Hunt. O filme é muito bom quando está nos circuítos, e é um pouco menos bom quando segue as vidas dos dois pilotos rivais, destacando o facto de terem personalidades muito diversas e estilos de vida completamente antagónicos. O filme dá aos dois pilotos o estofo dos heróis e em qualquer dos casos é bem merecido. Se o Nikki lauda sai um bocadinho mais beneficiado (imho, é claro), é apenas porque a personagem é mais rica em conflito e também porque o actor Daniel Bruhl faz um trabalho magnífico.
Tags: